Há um ano, senador defendia voto aberto

A "virada" do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) em favor do voto fechado é recente. Há menos de um ano, em setembro do ano passado, ele se deslocou de seu gabinete até a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa para manifestar apoio à iniciativa do colegiado que então buscava aprovar a adoção do voto aberto nos processos disciplinares contra parlamentares. O presidente do Senado aparece na capa do Jornal do Senado ao lado do então presidente da comissão, senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), e de Romeu Tuma (DEM-SP), comemorando a aprovação do voto aberto. Na atual onda de denúncias contra ele, Renan não só mudou de idéia, como adotou um esquema de pressão poucas vezes visto no Senado para obter pareceres a seu favor. Senadores que lhe são próximos afirmam que ele aposta em sua absolvição com base em um sistema de voto que não possa ser identificado nem pelos políticos nem pela opinião pública. No plenário, por exemplo, onde o voto é oculto, Renan tem dito, em diversas negociações, que conta com o apoio da maior parte dos petistas - o suficiente para escapar de qualquer punição.No Conselho de Ética, pelo voto secreto, ele diz confiar no apoio até de parlamentares da oposição. O senador divulgou ontem uma nota sobre sua decisão de abrir mão dos três dias para prestar as alegações finais no processo em que é investigado pela Comissão de Ética. Se não o fizesse, impediria a votação dos pareceres amanhã. Renan afirma que tal decisão mostra sua disposição de colaborar com a investigação. "Posso até ser vítima dos excessos da democracia, mas jamais me afastarei dela", disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.