Há restrições para quem ocupa a vice-presidência, diz Sarney

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), criticou hoje a iniciativa do presidente da República, José Alencar, de se opor publicamente às taxas de juros. "Todos nós somos contra os juros altos, todo mundo deseja que caiam, mas uma coisa são os juros e a outra é a falta de solidariedade do vice-presidente em relação às decisões tomadas pelo presidente da República", comparou o senador. "Confesso que achei estranha a posição do vice-presidente da República, acho que o vice deve ser um homem aliado do presidente e sobretudo ao País e no momento em que o governo toma medidas, naturalmente ele tem de confiar que essas medidas são tomadas em razão do interesse público".Para Sarney, a vontade de baixar os juros é unânime no País, mas insistiu que não cabe ao vice-presidente da República tomar uma atitude dessa. "Isso sem dúvida alguma prejudica, sobretudo quando o presidente está viajando", avaliou. Outro argumento do senador é que o cargo de vice impõe algumas restrições que, nesse caso, foram ignoradas pelo vice-presidente de Lula. "Quando eu fui escolhido vice-presidente, a primeira coisa que eu disse a Tancredo foi que ele me dissesse as restrições que eu teria de fazer e eu procurarei sempre segui-las", afirmou.O presidente do Senado avaliar que não é função do vice-presidente ditar o que deve ou não ser seguido pela política econômica em vigor. "Não é função do vice, o vice-presidente não pode fazer isso, há restrições que a vice-presidência impõe a quem ocupa o cargo, ao menos é o que eu penso", reiterou. Sarney disse que não aceita a defesa feita pelos defensores de José Alencar, de que ele está sendo coerente com as promessas de campanha. Segundo ele, no momento em que se aceita ser vice-presidente, é preciso manter a unidade nas decisões políticas, caso contrário há o risco de promover instabilidade no País.

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