'Há paternalismo grande em torno de Dilma', diz Garibaldi

Presidente do Senado defende ida da ministra à Casa; nesta terça, comissão vota outro requerimento

Cida Fontes, de O Estado de S.Paulo,

22 de abril de 2008 | 11h12

O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), afirmou nesta terça-feira, 22,  que não acredita que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, esteja evitando falar a respeito do dossiê sobre despesas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com cartão corporativo, mas que está havendo "um excesso de proteção" à ministra e que "está na hora de ela falar." Para Garibaldi, o fato de Dilma ser considerada "mãe do PAC" tem gerado "um paternalismo muito grande" ao redor dela "para que não possa dizer alguma coisa." O senador acrescentou: "A ministra certamente merece dos líderes do governo essa dedicação toda, mas tem uma hora em que uma dedicação como essa não serve. Termina não servindo nem à ministra, nem ao País nem ao governo."  Veja também: Entenda a crise dos cartões corporativos  Oposição fura o cerco e Dilma terá de explicar dossiê no SenadoDossiê FHC: o que dizem governo e oposiçãoPF pede a governo dados sobre segurança da Casa CivilPF abre inquérito para apurar vazamento de dados de FHCDossiê com dados do ex-presidente FHC   "Não é por falta de requerimento que a ministra vai deixar de vir ao Senado", afirmou Garibaldi, referindo-se ao fato de dois requerimentos de convocação de Dilma já terem sido aprovados na Comissão de Infra-Estrutura do Senado. Nesta manhã, um novo requerimento de convocação da ministra foi rejeitado no Senado, desta vez na Comissão de Meio Ambiente. Na avaliação do presidente do Senado, o melhor caminho, agora, é os líderes partidários se entenderem sobre a melhor data para a ministra comparecer ao Senado e sobre qual o assunto do seu comparecimento. "Eu creio que é só entrar num acordo a respeito do que a ministra vai falar. Acho que já está na hora de a ministra falar", declarou Garibaldi.  Nesta terça-feira, foi rejeitado requerimento  na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle para que Dilma Rousseff dê explicações sobre o caso. Na semana passada, a Comissão de Infra-Estrutura aprovou requerimento semelhante. "Não é por falta de requerimentos que a ministra vai deixar de vir. Nunca vi tantas convocações", comentou Garibaldi. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), no entanto, prometeu apresentar requerimento para tentar reverter essa convocação na Comissão de Infra-Estrutura para dar explicações especificamente sobre o suposto dossiê. "Acho que está havendo excesso de proteção da ministra. A ministra é a mãe do PAC e agora está havendo um paternalismo muito grande em torno da ministra, que ela não fale, não possa dizer alguma coisa", disse Garibaldi. "É um excesso de zelo dos líderes do governo. A ministra é uma pessoa que certamente merece dos líderes essa dedicação toda, mas há horas em que uma dedicação como essa não serve, termina não servindo nem à ministra, nem ao país, nem ao governo", completou.  Depoimento O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), informou  que foi marcado para o dia 30 de abril, véspera do feriado, o depoimento da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, na Comissão de Infra-estrutura do Senado. Inicialmente, a convocação da ministra teria como objeto as ações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Na última reunião da Comissão, no entanto, os senadores aprovaram um outro requerimento pelo qual a ministra também poderia ser questionada sobre o chamado dossiê preparado pelo governo com informações sobre os gastos com cartão corporativo efetuados pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sua família e principais auxiliares. Jucá reafirmou que tentará esta semana, através de recurso, revogar o requerimento que estendeu a convocação da ministra a informações sobre o dossiê. A comissão de fiscalização de controle e meio ambiente se reúne daqui a pouco e, entre os itens da pauta, está um novo requerimento do líder do PSDB, Arthur Virgílio (PSDB-AM), convocando a ministra para dar explicações sobre o dossiê.  Texto atualiado às 13h30(Com Agência Brasil)

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