"Há muitos anos não vivemos um momento de otimismo como agora"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso em tom de grande otimismo, hoje, na sede da General Motors, em São Caetano do Sul, onde participou de cerimônia de entrega de 305 novas viaturas à Polícia Rodoviária Federal. Ele definiu como "engraçado" o momento que o País vive, porque, na sua avaliação, há muitos anos não se vivia um momento de otimismo como o atual, ao mesmo tempo em que se fala tanto de "crise política". Para justificar o otimismo, o presidente citou que os juros reais, "que não são os ideais, são os mais baratos dos últimos dez anos"; os bancos de investimento contam com mais recursos; no setor de infra-estrutura, há condições de realização de mais investimentos do que em anos anteriores; "a credibilidade internacional do Brasil cresce a cada dia"; "e há otimismo porque sabemos que o crescimento que desejamos vai gerar, senão todos, uma grande parte dos empregos que queremos".Lula disse ainda que, além desse conjunto de fatores, o País baterá recordes este ano na agricultura e nas exportações e que a economia "vai crescer, senão tanto quanto gostaríamos que ela crescesse, o que é possível crescer". Economia ainda é muito vulnerável O presidente Lula admitiu, porém, que a economia do País ainda é vulnerável. "E não sou eu quem diz isso. Qualquer pessoa deste País que acompanhe economia sabe que a gente ainda tem uma economia altamente vulnerável, porque devemos muito, porque parte da nossa dívida está dolarizada e porque os projetos que queremos ter para fazer uma verdadeira revolução na infra-estrutura deste País têm problemas."Segundo o presidente, nos últimos 15 dias, ele fez duas reuniões com as áreas de infra-estrutura, o que permitiu a retomada da construção de 17 usinas hidrelétricas de um total de 35. "Só de gasoduto, a Petrobras tem R$ 6,8 bilhões para investimentos. E temos problemas, por falta de licenciamento ambiental e por divergências entre as instâncias do próprio governo, que deveriam desobstruir isso.?Expor os números Ele que recomendou ao presidente do BC, Henrique Meirelles, e ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que "se exponham em qualquer público e em qualquer debate, para que sejam comparados os números de quando o governo assumiu e de como estão hoje". "Digo isso sem medo, porque não temos por que não enfrentar todo e qualquer público para debatermos a situação da política econômica do País", explicou. Ao lembrar que certa vez ouviu um ministro do Trabalho dizer que "o trabalhador que se contenta com o salário que ganha não merece o que ganha", adicionou: "um povo que se contenta com a política econômica que tem, não merece a política econômica que tem". "É preciso sempre o ser humano aperfeiçoar as coisas que tem." IPI dos carros O presidente disse que a redução do IPI sobre automóveis não prejudicou a arrecadação do governo federal. O presidente rebateu as críticas de que favorece o setor automotivo por sua origem de trabalhador metalúrgico. "Não fiz nada a mais ou a menos do que outro cidadão de bom senso fez, que é ajudar o setor automotivo, de indústria de ponta e gerador de empregos", afirmou.

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