Há mais casas com aparelhos de TV do que com rádio

A PNAD 2001, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, revela que, pela primeira vez, o número de domicílios com televisor (89%) ultrapassou o total de moradias com rádio (88%). Em 1999, o Brasil tinha 39,4 milhões de casas com rádio e apenas 38,4 milhões com TV. Dois anos mais tarde, o quadro se inverteu e a televisão passou a estar presente em 41,4 milhões de domicílios, contra apenas 40,9 milhões com rádios.A queda do rádio e o boom da TV foi um fenômeno registrado na década de 90, segundo o histórico de pesquisas. Até a década de 80, o consumo de rádios ainda estava em alta. Na primeira pesquisa PNAD que comparou os dois itens, em 1988, o porcentual de moradias com rádio era de 82%. Pulou para 83,4% em 1989 e para 84,3% em 1990. A televisão também crescia na mesma velocidade nos anos 80.A mudança ocorreu na década de 90. Em 1996, 90,4% dos domicílios do País já tinham rádio, mas apenas 84,4% eram proprietários de TV. Em 1999, a proporção com rádio caiu para 89,9%, e a TV continuou subindo e chegou a 87,8% das casas até ultrapassar o rádio no ano passado.O jornalista Sergio Cabral, autor de No Tempo de Almirante - Uma História do Rádio e da MPB, lamenta o fim da "era do rádio". "Sou ouvinte de rádio e fico triste com a queda", afirma o jornalista. Em seu livro sobre o músico, historiador e pesquisador, ele fala da decadência dos tempos de glória, na metade dos anos 50, quando a TV começou a ocupar o espaço e recrutar atores e cantores que, até então, faziam as novelas e programas do rádio. "Depois disso, e já que a TV tinha passado a fazer novelas e os programas, houve um momento que o rádio não sabia como se comportar e teve que se redefinir", analisa Cabral.O jornalista lembra também do tempo que os grandes eventos esportivos, como as Copas do Mundo, eram transmitidas e ouvidas pelo rádio, como nos campeonatos de 1958, 62 e 66. O que mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2001

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.