Há elemento político na decisão do Copom, diz Mercadante

O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), disse no plenário da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado que a decisão sobre a redução da taxa de juros não pode ser açodada, populista ou voluntarista. "Se for tomada uma decisão nessa linha, você pode ter que voltar atrás e o custo disso é alto", disse. Para o senador, a decisão sobre a redução dos juros tem que ser "gradual, cuidadosa e sustentada". Ele também afirmou que a decisão sobre taxa de juros é "evidentemente técnica". Mas afirmou que há um elemento político nessa decisão. "Tanto há que a decisão do Copom é tomada pelo voto, sendo que nem sempre há unanimidade na decisão", avaliou. O senador também fez um comentário sobre a evolução recente dos índices de preço que, segundo ele, têm apresentado tendência clara de queda ao longo dos últimos cinco meses. Em função disso, ele perguntou aos dois diretores indicados do BC (Afonso Beviláqua e Eduardo Loyo) se já não há espaço para uma redução dos juros. O senador questionou o argumento usado na ata do Copom sobre o fato de os reajustes salariais contribuírem para a manutenção da inércia inflacionária. Para o senador, 45% das categorias de trabalhadores que tiveram dissídio coletivo no período tiveram reajustes salariais abaixo do INPC. "A massa salarial caiu. Os trabalhadores não estão conseguindo repor as perdas", disse Mercadante, ao questionar a colocação feita na ata da última reunião do Copom.Ele também questionou qual seria a real dimensão do papel do Banco Central no combate à inércia inflacionária. "O BC sozinho não quebra a inércia inflacionária", disse Mercadante. Ele lembrou que o governo já vem atuando em várias áreas para combater a inércia por meio de negociações setorias, como no setor siderúrgico. Ele também lembrou o esforço feito pelo governo no sentido de revisar a política de reajuste tarifários de serviços privatizados. Sobre a questão do spread bancário (diferença entre o que os bancos pagam de juros e o que cobram dos clientes), o senador indagou aos diretores indicados a razão de a inadimplência nos empréstimos das pessoas jurídicas ter caído de 6% para 2% de junho de 2000 a dezembro de 2002, enquanto que o spread subiu de 13 pontos para 17 pontos. Ele lembrou que a inadimplência entre pessoas físicas subiu de 5,5% para 8% e o spread caiu de 59 para 55 pontos. "Será que não está sendo maximizada a questão da inadimplência?", questinou. Mercadante perguntou aos diretores indicados se eles concordam com a proposta de a Caixa Econômica e o Banco do Brasil entrarem no mercado para oferecer taxas de juros de empréstimo bancário mais competitivas para aumentar a concorrência do sistema como um todo.

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