Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'Há culpados e eles serão punidos exemplarmente', diz cúpula da CPI da Covid

Em nota conjunta, senadores independentes e de oposição disseram assegurar que os responsáveis pelo o que chamaram de "quadro devastador e desumano" pagarão por seus "erros, omissões, desprezos e deboches"

Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2021 | 18h52

BRASÍLIA - A cúpula e outros integrantes da CPI da Covid lamentaram a marca de 500 mil mortes provocadas pela covid-19 no Brasil registrada neste sábado, 19. Em nota, senadores independentes e de oposição disseram assegurar que os responsáveis pelo o que chamaram de "quadro devastador e desumano" pagarão por seus "erros, omissões, desprezos e deboches", e que os culpados serão "punidos exemplarmente".

"Há culpados e eles, no que depender da CPI, serão punidos exemplarmente", afirmam a maioria dos membros da comissão. A declaração cita ainda que crimes contra a humanidade, morticínios e genocídios "não se apagam, nem prescrevem".

"Eles se eternizam e, antes da justiça Divina, eles se encontrarão com a justiça dos homens", diz a nota, assinada pelo presidente da CPI, Omar Aziz (PSD); pelo vice, Randolfe Rodrigues (Rede-AP); e o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), além de Tasso Jereissati (PSDB-CE), Otto Alencar (PSD-BA), Eduardo Braga (MDB-AM), Humberto Costa (PT-PE), Alessandro Vieira (Sem partido), Rogério Carvalho (PT-SE) e Eliziane Gama (Cidadania-MA). Nenhum governista assinou o documento.

Ontem, após dois meses de funcionamento, a CPI avançou para uma nova etapa ao transformar 14 testemunhas em investigados, sendo a maioria dos nomes ligada ao presidente Jair Bolsonaro. A lista de 14 pessoas foi anunciada pelo relator da CPI, e inclui o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga; o general Eduardo Pazuello, ex-titular da pasta; e o ex-chanceler Ernesto Araújo, além de integrantes do chamado "gabinete paralelo", núcleo de assessoramento do presidente na condução da pandemia.

Renan também afirmou que avalia incluir o próprio presidente Jair Bolsonaro na relação, mas que a competência de a CPI para investigar o presidente diretamente ainda é analisada. Na nota divulgada neste sábado, a maioria dos membros da comissão afirma que as 500 mil vidas perdidas poderiam ter sido poupadas com "bom senso, escolhas acertadas e respeito à ciência".

"Nessa data dolorosamente trágica, quando o Brasil contabiliza 500 mil mortes, desejamos transmitir nossos mais profundos sentimentos ao País. Temos consciência que nenhuma palavra é suficiente para consolar e superar a dor das perdas de nossas famílias. São 500 mil sonhos interrompidos, 500 mil vidas ceifadas precocemente, 500 mil planos, desejos e projetos", dizem os senadores.

Confira a nota pública da maioria dos membros da CPI da Covid na íntegra:

Nota Pública da Maioria dos Membros da Comissão Parlamentar de Inquérito da PANDEMIA.

Nessa data dolorosamente trágica, quando o Brasil contabiliza 500 mil mortes, desejamos transmitir nossos mais profundos sentimentos ao País. Temos consciência que nenhuma palavra é suficiente para consolar e superar a dor das perdas de nossas famílias. São 500 mil sonhos interrompidos, 500 mil vidas ceifadas precocemente, 500 mil planos, desejos e projetos. Meio milhão de vidas que poderiam ter sido poupadas, com bom-senso, escolhas acertadas e respeito à ciência. Asseguramos que os responsáveis pagarão por seus erros, omissões, desprezos e deboches. Não chegamos a esse quadro devastador, desumano, por acaso. Há culpados e eles, no que depender da CPI, serão punidos exemplarmente. Os crimes contra a humanidade, os morticínios e os genocídios não se apagam, nem prescrevem. Eles se eternizam e, antes da justiça Divina, eles se encontrarão com a justiça dos homens.

Omar Aziz

Presidente CPI

Randolfe Rodrigues

Vice-Presidente

Renan Calheiros

Relator

Tasso Jereissati

Otto Alencar

Eduardo Braga

Humberto Costa

Alessandro Vieira

Rogério Carvalho

Eliziane Gama.

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