'Há banalização' do grampo, diz novo presidente do STJ

Cesar Asfor Rocha admite que há excessos em decisões judiciais determinando interceptações telefônicas

MARIÂNGELA GALLUCCI, Agencia Estado

03 de setembro de 2008 | 14h52

O ministro Cesar Asfor Rocha, que tomará posse nesta quarta-feira, 3, como presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), admitiu que há excessos em decisões judiciais determinando interceptações telefônicas. "Devemos fazer um mea culpa sim. Porque em regra a quebra de sigilo telefônico é determinada pelo juiz", afirmou. "Muitas vezes há banalização da quebra de sigilo telefônico. Não há nada mais sagrado para qualquer cidadão do que o resguardo da sua intimidade", disse Rocha. Veja também:Diretor da PF diz que Demóstenes deporá na 5ª sobre grampo Lula manda investigar compra de maletas pela AbinEntenda as acusações de envolvimento da Abin com grampos  PF está empenhada em saber quem grampeou STF, diz TarsoAté recentemente corregedor nacional de Justiça, Rocha concorda com a proposta do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de criar uma central para monitorar as decisões judiciais que determinam as interceptações telefônicas. "É uma solução que pode ser adotada dentro da legalidade e com o objetivo de resguardar a intimidade", afirmou. Além da central, o CNJ deverá aprovar uma resolução com recomendações aos juízes que decretam interceptações telefônicas. Ele também é a favor da criação de um braço na corregedoria que ficará responsável por analisar as reclamações de abusos supostamente praticados por policiais.Para Rocha, houve um aspecto positivo no episódio em que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, foi grampeado clandestinamente. "Isso foi bom para despertar a sociedade e todas as autoridades, que estavam num estado letárgico achando que isso não estava acontecendo", disse.

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