Há 25 anos, a estreia da propaganda sem censura

Em 15 de setembro de 1989, entrava no ar, em cadeia nacional de rádio e TV, a propaganda eleitoral gratuita para as eleições presidenciais. Foi a primeira com voto direto depois de 28 anos. O horário eleitoral estreava com novidades, entre elas o fato de não haver mais censura prévia, de ter instituído o direito de reposta e ter permitido o debate, cortado desde a Lei Falcão de 1976, que restringiu a propaganda eleitoral à apresentação do currículo do candidato com uma foto. Vinte e dois rostos defenderam durante quase dois meses suas propostas.

CARLOS EDUARDO ENTINI, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2014 | 02h03

Se comparados aos atuais, os programas de 1989 foram mais livres e sem as amarras impostas hoje pelos marqueteiros aos candidatos. Mas isso não quer dizer que o marketing foi preterido. Fernando Collor, por exemplo, trabalhou bem sua imagem de novidade no cenário eleitoral. Sua primeira aparição foi chegando em Porto Seguro, no mesmo lugar onde desembarcou Pedro Álvares Cabral em 1500. E, na sequência, usou imagens de seu encontro com o papa João Paulo II. Collor e sua equipe não bateram no governo de José Sarney do PMDB, tática que a maioria adotou, e nem em seu companheiro de partido, Ulysses Guimarães.

Foi de Collor a primeira polêmica da campanha. No programa de estreia, mostrou cenas de uma propriedade da família Sarney, na Ilha de Curupu, e as comparou com a vida modesta de uma moradora local.

Lula também se preocupou com a imagem. O candidato não sabia se aparecia na tela com ou sem gravata. Se a usasse, perderia a imagem de líder popular. Mas, com ela, inspiraria mais confiança e diminuiria a rejeição. A gravata gerou intenso debate no PT e, no fim, decidiu-se que o uso seria alternado.

O horário eleitoral gratuito não tirou a liderança de Collor, que já estava em primeiro lugar, com 41% das intenções do voto no primeiro turno. Mas durante o período, houve alteração na segunda colocação. Antes da propaganda, Leonel Brizola (PDT) era o segundo, com 14,8%, seguido dos votos dos indecisos (10,8%) e dos a Lula (6,4%). No primeiro turno, Collor teve 28% dos votos, seguido por Lula, com 16%. O tempo de propaganda não foi fundamental para o resultados. Os candidatos dos partidos com mais tempo, PMDB, PFL e PSDB, ficaram em 7.º, 9.º e 4.º, respectivamente.

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