Há 2 anos, Sarney jurava que não concorreria

Quando o senador Pedro Simon (PMDB-RS) apresentou a sua candidatura a presidente do Senado, dois anos atrás, e um abaixo-assinado com apoios que lhe dariam vitória fora do PMDB, o candidato oficial do partido era Renan Calheiros (AL). Na reunião da bancada, contudo, o bate-boca foi com José Sarney (AP). Diante da oposição silenciosa de Sarney, à época tão aliado de Renan quanto hoje, Simon disse que o ex-presidente só não se candidatava ao Senado naquele instante porque estava se guardando para 2008, de olho na perspectiva de reeleição em 2010."Não sou candidato agora, nem em 2010, nem nunca", reagiu Sarney, irritado. "Pois, então, que se conste da ata. Quero que esta declaração do Sarney conste da ata da nossa reunião", devolveu Simon. Com a sucessão do Congresso em pauta, Simon resolveu conferir a ata daquela reunião. Descobriu que a negativa de Sarney, hoje candidato à presidência do Senado, tal como previra, não consta do texto."Candidatíssimo" desde o ano passado, na visão de amigos, correligionários e adversários, Sarney manteve o estilo de seguir negando a candidatura, ao mesmo tempo em que Renan trabalhava para elegê-lo. Foi o que fez em novembro, ao receber a visita do petista Tião Viana (AC). "Não sou candidato agora, não serei durante, nem serei na hora. Meu candidato é você", afirmou o anfitrião ao visitante, segundo Viana.Em resposta ao Estado, em dezembro, ele recomendou à assessoria que transmitisse a seguinte afirmação: "Se o Tião for candidato, voto nele." O petista jura ter ouvido dele cinco negativas, duas a mais do que o Planalto contabiliza nas conversas entre Sarney e Lula, até que ele admitisse não só o desejo de voltar a presidir o Congresso como a disposição de disputar a cadeira com Viana.

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