Gustavo Franco nega acusações feitas por delegado da PF

O ex-presidente do Banco Central, o economista Gustavo Franco, afirmou hoje, que não existiu nenhuma ilegalidade nas autorizações dadas em 1996 para cinco agências bancárias de Foz do Iguaçu operarem com valores acima de US$ 10 mil. Durante depoimento na Comissão de Segurança da Câmara, o delegado federal Antônio Carlos Carvalho disse que Franco, contra quem abriu um inquérito, teria sido um dos responsáveis pela evasão de recursos do País ao editar a circular autorizando as instituições."Sempre foi permitida "remessa para o exterior" em valor superior a US$ 10 mil, desde que seja por transferência bancária e que haja perfeita identificação de quem manda e de quem recebe. Nunca houve um limite em US$ 10 mil. Na verdade este número servia apenas para estabelecer o valor abaixo do qual as remessas poderiam ser feitas sem a identificação das partes", afirmou o ex-presidente do BC. Ele afirmou que em Foz do Iguaçu foi necessário apenas renovar as autorizações que já existiam, inclusive a do Banestado, mas a concedida ao Banco do Brasil. "O BC concede autorizações específicas para os bancos interessados nessas operações, especialmente na região de Foz do Iguaçu."Franco ressaltou que as contas CC-5 poderiam ser importante instrumento para que o Ministério Público e a polícia conduza com mais profundidade as suas investigações, mas nem sempre a colaboração do BC foi aceita. "Se houve trânsito de dinheiro sujo por contas CC-5 não é por negligência do BC, mas porque alguém cometeu algum crime, de alguma maneira, e deve pagar por isso. Cabe ao BC informar ao Ministério Público, como de fato fez, sobre quanto foi enviado, de quem e para quem. Muitos crimes já foram elucidados graças ao fato de que as CC-5 permitirem as autorizadas seguirem o dinheiro", afirmou Franco.

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