FABIO MOTTA/ESTADAO.
FABIO MOTTA/ESTADAO.

Gustavo Franco e Elena Landau dão 'ultimato' ao PSDB e pedem desembarque do governo

Em carta ao presidente interino da sigla, economistas pedem que partido entregue os ministérios e renove a direção; dos 47 deputados da bancada, 22 votaram para salvar Temer

Marianna Holanda, O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2017 | 00h24

Em carta endereçada ao presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), os economistas tucanos Elena Landau, Edmar Bacha, Gustavo Franco e Luiz Roberto Cunha fazem um "apelo" para que a sigla desembarque do governo na convenção de agosto e renove sua direção - hoje, oficialmente, ainda com o senador Aécio Neves (MG).

O texto foi divulgada nas redes sociais horas depois da vitória do presidente Temer no plenário da Câmara no Facebook da diretora do BNDES nos anos 1990, no governo Fernando Henrique Cardoso. A carta também foi assinada por dois integrantes da equipe econômica de FHC, os mentores do Plano Real, Gustavo Franco e Edmar Bacha.

"A opção de nos desligar do PSDB pareceu-nos no momento precipitada tendo em vista sua sábia decisão de marcar uma convenção do partido para o próximo mês de agosto", disse o texto. "Fica nosso apelo para que, na convenção de agosto, sob sua liderança o PSDB – reafirmando seu apoio à equipe econômica e mantendo-se à frente das reformas no Legislativo -- decida (i) renovar sua direção, (ii) entregar os ministérios que têm no governo, e (iii) refundar-se programática e eticamente", conclui. 

A carta diz ainda que o PSDB optou por "deixar vazio o centro político ético de que o País tanto precisa", ao ser "incapaz de se dissociar de um governo manchado pela corrupção institucionalizada que herdou do PT". 

Denúncia. Depois de quatro mininistros serem exonerados para votar a denúncia de corrupção passiva contra o presidente Temer nesta quarta-feira, o placar da bancada tucana ficou em 22 votos favoráveis a Temer e 21 contrários. Quatro deputados se abstiveram. Mais cedo o líder da sigla na Câmara, deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP) recomendou a bancada a votar pelo prosseguimento da denúncia. 

Em comemorações no Salão Verde após a vitória de Temer, o ministro da Secretaria de Governo Antonio Imbassahy admitiu o racha na legenda, mas se mostrou otimista: "O partido vai encontrar suas convergências e seu rumo", afirmou. No corpo a corpo de último minuto, Imbassahy foi flagrado negociando emenda parlamentar com o deputado Alan Rick (DEM-AC) por voto para Temer.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.