Gushiken planejou reação do governo ao caso Waldomiro

Foi Luiz Gushiken, ministro de Comunicação do Governo, o "ideólogo" da ação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra os bingos. Na reunião realizada ontem de manhã, no Palácio da Alvorada, da qual participaram o presidente e os ministros José Dirceu (Casa Civil), Antônio Palocci (Fazenda), Guido Mantega (Planejamento), Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência) e Gushiken, ficou decidido que seriam abertas duas frentes de ação: o presidente falaria à tarde sobre o caso, durante a visita ao Rio Grande do Sul, e Dirceu, Palocci, Dulci e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, se reuniriam, no Palácio do Planalto, para tratar da edição de uma medida provisória proibindo o funcionamento de bingos. Na reunião no Alvorada, chegou-se a discutir a conveniência de Lula não ir para o Sul e ficar em Brasília para administrar a crise. Mas era muito tarde para o recuo. O presidente levou Gushiken consigo para acertar os últimos detalhes. Depois de chegar a Caxias do Sul, Lula liberou Gushiken, que voltou a São Paulo. À noite, ele tomou um avião para Israel. O presidente, no entanto, fez uma exigência. Que Gushiken encurtasse suas férias e voltasse antes do fim do mês. O ministro acertou seu regresso para o dia 26. "A resposta do governo precisava ser dada rapidamente, passando a imagem clara de que é contrário ao bingo e não vai tolerar nenhuma ilegalidade", disse o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo. Desde outubro, uma comissão interministerial, comandada pela Casa Civil, faz um estudo sobre o destino a dar aos bingos. A conclusão foi de que devem ser estatizados e entregues à Caixa Econômica Federal. Isso poderá ser feito depois, por intermédio de um projeto de lei. Por enquanto, o que interessava era dizer que não haverá tolerância com a ilegalidade. Foi uma resposta para a população. De forma indireta, procura mostrar que o governo não vai tolerar nenhum ato de corrupção e punirá o ex-assessor parlamentar da Casa Civil Waldomiro Diniz, que teria cobrado propinas de um empresário ligado aos bingos e ao jogo do bicho. De acordo com informação de assessores do Palácio do Planalto, o governo analisa com tranqüilidade a piora dos indicadores econômicos provocada pelo escândalo. A avaliação é de que a crise é política e, por enquanto, não há nada a fazer em relação à economia. Palocci despachou normalmente no Ministério da Fazenda. Ele chamou de "boataria" a informação de que assumiria a coordenação política do governo, numa eventual substituição do ministro José Dirceu.

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