Gushiken diz que será absolvido

Após depoimento, ex-ministro afirma estar ?tranqüilo?

Fausto Macedo e Elizabeth Lopes, O Estadao de S.Paulo

18 de março de 2008 | 00h00

O ex-ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) Luiz Gushiken afirmou ontem que está confiante na sua absolvição no caso do mensalão, no qual foi acusado por crime de peculato. Após depor por cerca de uma hora na 2º Vara Criminal Federal de São Paulo, ele declarou: "Estou confiante na minha absolvição. Sobretudo porque quatro ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) rejeitaram minha denúncia. De maneira que estou muito tranqüilo". Gushiken disse ao juiz substituto Marcio Ferro Cataplani que a Secom não era responsável pela destinação de verbas estatais e nem tampouco dos ministérios para a área de publicidade. Conheça os 40 do MensalãoNo interrogatório, o ex-ministro destacou que sua gestão na Secom enfocou basicamente a reorganização da estrutura. E frisou que a secretaria não tinha nenhum poder decisório para liberação de verbas. Gushiken frisou que não tinha conhecimento de nenhum contrato com a Visanet e afirmou que nunca esteve com o publicitário Marcos Valério, apontado como operador do esquema de caixa 2 do mensalão. Ressalvou, contudo, que a Secom realizou reuniões com agências de publicidade e a de Valério pode ter eventualmente sido representada em alguma dessas reuniões. O ex-deputado Professor Luizinho (PT-SP), acusado de crime de lavagem de dinheiro por ter supostamente participado do mensalão, afirmou ao juiz Cataplani que "não sabia" do saque que um antigo assessor, José Nilson dos Santos, fez na boca do caixa do Banco Rural, agência da Avenida Paulista.Luizinho declarou que "não participava da contabilidade do PT" e afirmou que não tinha conhecimento do mensalão. "Acho muito difícil que tenha existido sem que ninguém tenha ficado sabendo", disse. José Nilson, assessor de Luizinho, sacou R$ 20 mil no Rural em 23 de dezembro de 2003. Ao Conselho de Ética da Câmara, Luizinho afirmou que o dinheiro foi fruto de acordo entre José Nilson e o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, "sem seu conhecimento"."Estou tentando demonstrar a violência de querer considerar que é possível que o líder do governo tenha de receber (dinheiro) para votar com o próprio governo", disse Luizinho à saída da Justiça Federal. Ele foi líder do governo Lula na Câmara.A ex-vice-presidente operacional do Banco Rural e uma das rés no caso do mensalão, Ayanna Tenório Torres de Jesus, esquivou-se das denúncias de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha."Sua função no banco não era de ordem financeira. Como vice-presidente operacional era responsável pela reestruturação administrativa", afirmou seu advogado, Rodrigo Mendonça.

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