Gurgel reforça que bancos são lenientes com o crime de lavagem de dinheiro

Ontem, Joaquim Barbosa, presidente do STF, afirmou o mesmo e defendeu punição às instituições

Mariângela Gallucci, de O Estado de S. Paulo,

12 de março de 2013 | 11h30

BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou na manhã desta terça-feira, 12, que existe leniência dos bancos na prestação de informações sobre movimentações financeiras que são requisitadas para instruir investigações criminais. "No momento em que precisamos das informações bancárias, existe leniência das instituições financeiras em fornecer os dados. Normalmente o atendimento é lento e precário", disse Gurgel ao sair de um seminário em Brasília sobre lavagem de dinheiro.

Segundo Gurgel, muitas vezes são necessárias diligências complementares para obter os dados solicitados. Na opinião do procurador-geral, é preciso que esse sistema de fornecimento de dados seja aprimorado para que as instituições bancárias não sejam vistas como coniventes. Ele explicou que no processo do mensalão ocorreram vários fatos envolvendo bancos.

Gurgel afirmou que a conduta desses determinados bancos era "inaceitável", os transformando em "parceiros do crime".

Ontem, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, também afirmou que os bancos são "lenientes" com o crime de lavagem de dinheiro e defendeu punição às instituições.

"Enquanto instituições financeiras não visualizarem a possibilidade de serem drasticamente punidas por servirem de meio para a ocultação da origem ilícita de valores que se encontram sob a sua responsabilidade, persistirá o estímulo à busca do lucro, visto como combustível ao controle leniente que os  bancos fazem sobre a abertura de contas e sobre a transferência de valores", disse Barbosa, ao discursar ontem na abertura de seminário sobre lavagem de dinheiro.

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