Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Guinada governista gera nova crise no PSL

Apesar de integrar a chamada ala 'raiz' do partido, Luciano Bivar foi acusado de ter traído o grupo e feito um acordo com o governo para apoiar a eleição de Arthur Lira na Câmara

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2021 | 15h40

Rompido com o presidente Jair Bolsonaro desde 2019, o PSL mergulhou em uma nova crise interna no sábado passado, após deputados da sigla questionarem o presidente do partido, Luciano Bivar (PE), pelos acordos que colocaram os “dissidentes” bolsonaristas em postos-chave na Câmara e isolaram ala que faz oposição.

Apesar de integrar a chamada ala “raiz” do PSL, Bivar foi acusado por correligionários de ter traído o grupo e feito um acordo com o governo para apoiar a eleição de Arthur Lira (Progressistas-AL) à presidência da Câmara e entregar cargos em comissões ao grupo governista em troca de ocupar a 1.ª secretaria. O PSL deve emplacar as comissões de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante da Casa, e de Agricultura – e ainda tenta a de Relações Exteriores. 

A discussão começou em um grupo de WhatsApp. O principal foco de insatisfação foi a escolha, por Bivar, do deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO) como líder da bancada, o que deu a ele a prerrogativa de indicar os nomes da legenda para as comissões. Com esse movimento houve uma inversão do cenário e os deputados da ala “raiz” ficaram isolados.

“Infelizmente deixaram o PSL refém dos bandidos que quiseram roubar a legenda”, escreveu a ex-líder da bancada, a deputada Joice Hasselmann (SP), que saiu do grupo. Em resposta, Bivar disse que “a outra corrente (governista) é que aproveitou-se dos estilhaços que provocamos entre os nossos e formaram uma maioria na bancada”.

Outros deputados do PSL ouvidos pela reportagem reclamaram que Bivar se beneficiou com a guinada governista e travou as 20 representações que pediram expulsões de deputados bolsonaristas. Até o caso do deputado Daniel Silveira, considerado o mais emblemático, foi engavetado. 

Procurado, Luciano Bivar não se manifestou.

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