Guia faz radiografia das estradas do País

As condições das estradas brasileiras pioraram no último ano. Só em São Paulo, a precariedade da malha viária saltou de zero quilômetro, em 2000, para 122 quilômetros em 2001. São asfaltos deteriorados, verdadeiras crateras ao longo das rodovias, falta de acostamento sinalização e limpeza, entre outros problemas. O raio X foi feito pela equipe do Guia Rodoviário Quatro Rodas 2001 - que percorreu 200 mil dos 1,65 milhão de quilômetros de estradas do País, num período de um ano. Foram avaliadas rodovias e estradas secundárias asfaltadas.Ao todo são 5.094 quilômetros de vias em péssimas condições no País - 55% mais que no ano anterior, quando foi constatado 3.274 quilômetros. O Brasil tem 180 mil quilômetros de vias asfaltadas. De acordo com a Secretaria do Estado dos Transportes, existem cerca de 21 rodovias necessitando de reformas. Juntas, elas somam cerca 1.500 quilômetros de malha viária danificados - incluindo as estradas secundárias de terra.Os principais problemas encontram-se no interior, principalmente nas regiões de Sorocaba, Louveira, Porangaba, Itatiba, Araraquara, Barretos, Joanópolis, Atibaia e litoral norte. A SP-141, que dá acesso a Porangaba, é um bom exemplo de abandono. A estrada vem sendo destruída por causa do movimento de caminhões de cargas, que utilizam o local para fugirem dos pedágios da Rodovia Castelo Branco. As rodovias SP-36 (Atibaia/Joanópolis) e SP-425 (Barretos) também estão no topo da lista das mais danificadas.A viagem de quem segue pela SP-51, que liga Santos ao Rio de Janeiro, no litoral norte, também é muito desgastante. Desviar de buracos, passar por trechos sem sinalização e sem acostamento exige manobras quase radicais por parte dos motoristas que trafegam pela região.RecuperaçãoA Assessoria de Imprensa do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) informou que o órgão iniciará este ano as obras de recuperação de dois mil quilômetros de rodovias. As obras vão consumir cerca de R$ 450 milhões. Desse montante, R$ 120 milhões serão viabilizados junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).As obras, que já estão sendo contratadas, incluem o recapeamento, sinalização vertical e horizontal, recuperação de pontes e iniciativas para redução de impacto ambiental. Será dada prioridade às estradas em piores condições de tráfego ou que ofereçam riscos à segurança dos usuários.Nas rodovias administradas pela iniciativa privada, os motoristas também precisam ter paciência por causa das obras de recuperação e ampliação que passam várias delas. Na pesquisa do Guia Rodoviário, a Bahia lidera pelo segundo ano consecutivo o ranking de estradas mais precárias. No ano anterior, o Estado tinha 590 quilômetros de malha viária em más condições. Este ano, o índice subiu para 1.211 quilômetros. Em segundo lugar vem o Mato Grosso. A falta de condições das estradas no Estado subiu em 661 quilômetros, saltando de 200 para 861 quilômetros. A surpresa foi com o Maranhão, que conseguiu recuperar boa parte de suas rodovias. Em 2000, o Maranhão tinha 690 quilômetros de vias deterioradas. Este ano, na pesquisa, o estado apresentou apenas 44 quilômetros.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.