Guerrilhas iriam dividir dinheiro de resgate de Olivetto

A Frente Patriótica Manuel Rodrigues (FPMR) e o Movimento Esquerda Revolucionária (MIR) iam dividir meio a meio o resgate que receberiam pela vida do publicitário Washington Olivetto. A revelação foi feita aos policiais brasileiros e chilenos por um dos seqüestradores presos, Alfredo Augusto Canales Moreno, um dos chefes da dissidência do MIR-Militar que participou do delito. Os seqüestradores exigiam US$ 10 milhões. A família já havia oferecido US$ 4,2 milhões quando parte do grupo foi presa e Olivetto, solto.A conversa entre Canales e os policiais ocorreu no Centro de Reabilitação Penitenciária (CRP), o anexo de segurança máxima da Casa de Custódia de Taubaté, onde estão presos os quatro homens acusados de participar do crime, entre eles um dos chefes do bando: Mauricio Hernández Norambuena, o Comandante Ramiro, 2º homem na hierarquia da FPMR.Com base nessa informação, os policiais chegaram à conclusão de que o seqüestro era uma operação importante para os dois grupos. Os policiais desconfiam que os terroristas abriram empresas fantasmas no Brasil para lavar o dinheiro que seria obtido com o crime. Sabe-se que Norambuena obedecia às ordens de Galvarino Sérgio Apablaza Guerra, o Comandante Salvador, número 1 da FPMR. O que os policiais estão investigando é quem seria o chefe de Canales Moreno na hierarquia do MIR, o homem para quem ele prestava contas. Os dois foram presos na chácara alugada pela quadrilha em Serra Negra, interior de São Paulo.Eles mantinham um caderno de anotações, que foi apreendido pela polícia, no qual controlavam todos os gastos efetuados pela quadrilha. Despesas como a compra de um maço de cigarros ou de combustível para um dos carros do grupo eram registradas diariamente. Além do valor pago em reais, os seqüestradores faziam a conversão para o dólar na cotação do dia. O controle de gastos serviria para uma prestação de contas. No caso de Norambuena, essas contas eram apresentadas ao Comandante Salvador.O que liga os integrantes do MIR e da FPMR é que Norambuena e Canales estiveram no batalhão Chile, lutando na Revolução Sandinista, em 1979, na Nicarágua. O Comandante Salvador e outros membros da frente que estão foragidos, como Raúl Julio Escobar Poblete, o Comandante Emilio, fizeram treinamento militar na mesma escola em Cuba que um dos presos, Marco Rodolfo Rodrigues Ortega, do MIR.A polícia obteve aquela que deve ser a verdadeira identidade de Maite Analia Bellon. Primeiro pensou-se tratar da colombiana chamada Marta Uroga. Agora os policiais sabem que seu nome é Marta Urrego. Além dela, também foi preso o colombiano Willian Gaona Becerra. A polícia quer saber qual o papel dos dois no grupo e se eles têm ligação com algum movimento da guerrilha colombiana.

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