Guerra na TV começa terça-feira

Desafio ficou mais dramático com a grande vantagem obtida por Marta sobre rivais, apontada pelo Ibope

Gabriel Manzano Filho, O Estadao de S.Paulo

17 de agosto de 2008 | 00h00

A guerra será longa: 42 dias, de terça-feira até 2 de outubro. O desafio é imenso: brigar pelos 7.593.144 votos do eleitorado de São Paulo. E ficou mais dramático com a grande vantagem obtida pela petista Marta Suplicy sobre os demais, apontada na pesquisa Ibope divulgada ontem pelo Estado. Nessas seis semanas, o marqueteiro de Marta, João Santana, vai brigar para manter e ampliar seus atuais 41% de intenções de votos. Contra ele estarão principalmente os marqueteiros de Geraldo Alckmin (PSDB), Lucas Pacheco, o do prefeito Gilberto Kassab (DEM), Luiz Gonzales, e o de Paulo Maluf (PP), Marcelo Teixeira. E, para completar o cenário, o PPS de Soninha Francine e o PSOL de Ivan Valente darão seus recados rápidos e diretos - sem marqueteiros - de um minuto e alguns segundos.A diferença de tempo de cada um torna a batalha desigual: enquanto Kassab dispõe de mais de 8min44s, Marta tem 6min40s, Alckmin 4min27s e Maluf 2min30s, os demais vão caindo até os 54 segundos de Levy Fidelix. No rádio, os programas serão às 7h30 e ao meio-dia. Na televisão, um às 13 horas e outro às 20h30 - todos eles de 30 minutos. A grande vedete da campanha aparece logo na estréia do programa de Marta. É o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que apresentará seu apoio à petista, no programa da quarta-feira - pois a terça será dedicada apenas à apresentação dos vereadores. Lula grava hoje esse texto, que a ex-prefeita diz não conhecer ainda. "Ela terá um programa marcante na forma, consistente no conteúdo", promete o marqueteiro Santana. Seu rival direto, o tucano Alckmin, tem como resposta o depoimento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O marqueteiro tucano Pacheco diz que vai recorrer à experiência do ex-governador: "A melhor estratégia é o candidato, ele é o mais preparado", avisa. Talvez o maior desafio seja o do marqueteiro Gonzalez: dispõe de um tempo enorme, tem um candidato que ainda não decolou e precisa aproximar os 8% de intenções de voto de Kassab aos 50% de aprovação de seu trabalho como prefeito. "O programa terá um pouco de tudo, será uma revista", avisa ele, ciente de que a missão é transformar o prefeito em alguém em que o eleitor confie mais. Já no primeiro programa será apresentado um pot-pourri de realizações na cidade nos últimos dois anos. O marqueteiro Marcelo Teixeira, da Makplan, tem a tarefa de apresentar o plano ambicioso de Maluf de construir uma grande freeway, com pistas de alta velocidade, nas Marginais do Tietê e do Pinheiros. "Qual a obra viária que eles (os adversários) fizeram? Basta que o povo mesmo compare. O que resolveram na área de saúde os três? Não precisa bater boca com ninguém para mostrar o que a gente fez", diz Teixeira. Nos partidos menores, e com tempo curto, o esquema é mais simples e direto. Com apenas 1 minuto e 46 segundos, a candidata Soninha, do PPS, virá com uma perguntinha provocante - "quem é que disse?... - para levantar questões sérias da cidade e levar o eleitor a repensar seu modo de escolher um candidato.E o PSOL, de Ivan Valente, com mensagens claramente estatizantes, pretende mostrar "que o capitalismo transformou São Paulo num monumento à irracionalidade humana". O candidato avisa: "Não temos orçamento nem marqueteiro. Quem leva adiante nossa campanha são os militantes".

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