Guerra diz que Sarney deve se explicar, em vez de atacar

Tucano afirmou que senador pode até ?reclamar de um jornal?, mas não pode deixar de esclarecer o que publica

BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

19 de agosto de 2009 | 00h00

As notícias e as críticas não devem ser censuradas, mas esclarecidas. Esse foi um dos pontos do discurso feito ontem pelo presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), na tribuna da Casa. Depois de elogiar o político José Sarney e o trabalho dele como "líder da transição democrática", Guerra acrescentou que o senador pode até "reclamar de um jornal", mas não pode deixar de esclarecer o que o jornal publica."Pode até ter razão, mas as questões que forem publicadas naquele jornal (Estado), ou em qualquer outro jornal sobre as quais a opinião pública tem pontos de vista diferentes, devem ser esclarecidos no Congresso", afirmou o senador pernambucano. Guerra lembrou que em 1993, na CPI do Orçamento, "foi relacionado entre os parlamentares que precisavam prestar contas de sua atuação na Comissão Mista do Orçamento". Em vez de atacar a mídia e os parlamentares da CPI, o senador contou que se defendeu prestando contas publicamente."Ao término da CPI, a conclusão foi que, sobre o deputado Sérgio Guerra, não havia razão para abrir processo ou prosseguir nas investigações. Nenhuma evidência, nenhuma interpretação que não fosse essa", contou ontem, no plenário do Senado, o presidente dos tucanos - Sarney presidia a sessão. Na segunda-feira, Sarney atacou o Estado pela manchete de domingo sobre a empreiteira Aracati/Holdenn, que comprou dois apartamentos que são usados por sua família em São Paulo, no edifício Solar de Vila América, na Alameda Franca, 1.581.Sarney chamou o jornal de "nazista", mas não falou da relação da família com a empreiteira. Disse que o filho, o deputado Zequinha Sarney (PV-MA), explicaria a compra de um dos apartamentos, o de nº 22. Em nota, a empreiteira confirmou que esse apartamento, comprado por ela de um economista, é o mesmo que o deputado tem como sua propriedade e diz estar pagando à empresa em prestações. O primeiro contato com o vendedor do imóvel foi feito pelo filho do deputado e neto de Sarney, o economista José Adriano.Em aparte, ontem, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) disse que é "legítimo" que o Estado, "tendo convicção" sobre o que apurou, "faça acusações ao presidente Sarney ou a qualquer outro homem público. É legítimo que se reconheça o direito de o presidente Sarney se defender. Mais do que um direito, é um dever do homem público acusado explicar cada ponto das acusações de que padece." Guerra havia, minutos antes, dado seu exemplo de comportamento na CPI do Orçamento.O senador pernambucano afirmou que não há motivação pessoal no pedido de afastamento de Sarney do comando da Casa, por dois meses. "Não é questão de um jornal, dois, três ou quatro. De um jornalista, dois, três ou quatro. É uma questão do que pensa a população brasileira. E não é só a elite que encontramos nos aeroportos. É o povo inteiro que nos pergunta: o que vocês vão fazer desse Senado?"

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