Guerra critica versão do governo sobre quebra de sigilo

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), divulgou hoje mais uma nota à imprensa na qual questiona e critica a versão apresentada pelo governo sobre a quebra de sigilo fiscal de integrantes do PSDB. "O Brasil assiste atônito à mais grave evidência de uso político e partidário das instituições do Estado, agravada pela manipulação de documentos oficiais sob responsabilidade direta do poder público", afirma.

AE, Agência Estado

21 de outubro de 2010 | 20h13

Ele critica o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter anunciado ontem que a Polícia Federal (PF) iria se pronunciar sobre a investigação da quebra de sigilo, "numa demonstração explícita de que o conteúdo do posicionamento de uma investigação policial, que se pretendia isenta e sigilosa, seria favorável ao seu partido, o PT".

Segundo Guerra, a leitura dos depoimentos dados pelo jornalista Amaury Ribeiro Júnior, que assumiu ter solicitado os dados fiscais de dirigentes do PSDB, revela o contrário do que Lula e a candidata petista Dilma Rousseff veem dizendo.

"Revela exatamente o contrário e joga por terra a tentativa do PT de fraudar a verdade: em nenhum momento o jornalista disse ter feito qualquer investigação com o objetivo de proteger o governador de Minas de ações de pessoas ligadas ao governador Serra. O depoimento é inequívoco ao mostrar as digitais dos responsáveis por negociações e estratégias inaceitáveis num processo de disputa eleitoral de um País democrático. Os nomes estão declarados pelo jornalista e não são de tucanos, e sim do PT."

Segundo o presidente do PSDB, "nas últimas 24 horas o PT, o presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff usaram de todos os meios para dizer aos brasileiros que a criminosa ação de venda e de vazamento de dados sigilosos da Receita Federal ocorreu a partir de uma disputa interna do PSDB entre José Serra e Aécio Neves. Disseram isso publicamente a jornalistas e aos eleitores brasileiros", afirma.

Reuniões

Para Guerra, o depoimento de Amaury Ribeiro Jr. traz revelações importantes, como a de que houve, pelo menos, duas reuniões de integrantes do comitê de campanha de Dilma, com data, hora e endereços identificados em Brasília, "com o objetivo de contratar serviços de espionagem contra José Serra".

Além disso, continua, o depoimento do jornalista revela que "o comitê da candidata Dilma analisou propostas financeiras feitas para contratação de serviços de espionagem contra integrantes do próprio PT e contra integrantes do PSDB". Por fim, segundo a nota do presidente do PSDB, "o jornalista atribui claramente a Rui Falcão, do PT, o vazamento dos dados fiscais obtidos por ele".

Guerra defende que sejam respondidas perguntas como de quem era o dinheiro que o despachante Dirceu Rodrigues Garcia disse à PF ter recebido em sua conta corrente em agosto deste ano. Cobra ainda que Lula e Dilma expliquem ao País "quem autorizou a integrantes do comitê da candidata a fazer negociações de contratos para espionagem e que envolveriam até a contratação de transporte de dinheiro de caixa 2, conforme afirmou o jornalista em seu depoimento à Polícia Federal".

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