''Guardian'' destaca ''revolução do bigode''

Protesto de publicitários em blog na internet chega ao diário britânico

Andréia Sadi, estadao.com.br, O Estadao de S.Paulo

24 de julho de 2009 | 00h00

O jornal britânico The Guardian destacou em seu site ontem a "revolução de bigode", protesto contra o "mais novo escândalo político brasileiro". O artigo cita um blog criado por publicitários - "Greve de Bigode" -, que convida os internautas a tirar fotos com a "ferramenta de protesto", natural ou falsa, e enviar ao endereço, "até Sarney cair". "Os bigodes são referência a José Sarney, o presidente do Senado brasileiro, atingido recentemente por denúncias de nepotismo e empreguismo e famoso pelo adorno", diz o texto.Pelas regras , os homens devem deixar o bigode crescer. As mulheres e crianças podem aderir usando modelos postiços. "É uma maneira de mobilizar as pessoas que acham a política chata e normalmente não se envolveriam com a causa", explicou Ricardo Silveira, de 30 anos, criador da campanha. O jornal diz ainda que os "eleitores indignados" só vão se desfazer do bigode após o Senado "se desfazer do seu presidente". No entanto, ressalta que analistas ouvidos pela reportagem não acreditam na renúncia do senador, "um poderoso aliado da base do governo e ex-presidente da República". Além do blog, Sarney é alvo da campanha "Fora, Sarney", também na internet. A lista de denúncias contra Sarney é extensa: empregar parentes no Senado, uso indevido de auxílio-moradia, supostas remessas ilegais ao exterior, responsabilidade nos atos secretos e omissão de declarar uma casa à Justiça Eleitoral.Um de seus filhos, administrador dos negócios da família, é alvo de investigação da Polícia Federal. Fernando José Macieira Sarney é suspeito de diversos crimes, incluindo tráfico de influência em órgãos do governo comandados por pessoas indicadas pelo pai.A Fundação José Sarney, instituto dedicado à preservação de sua memória, é suspeita de ter desviado dinheiro de patrocínio cultural da Petrobrás. Nesta semana, o Estado divulgou áudios da PF, feitos com autorização judicial, que mostram a prática de nepotismo pela família Sarney no Senado por meio de atos secretos.

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