GSI apura vazamento sobre portos; diz deputado

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República vai apurar o vazamento do documento sigiloso obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo que confirmava que o GSI mobilizou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar portuários e sindicatos contrários à Medida Provisória 595, conhecida como MP dos Portos. A informação é do deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP), que se reuniu nesta quinta-feira, no Palácio do Planalto, com o general José Elito Siqueira, ministro do GSI, a quem a Abin está subordinada.

TÂNIA MONTEIRO E RAFAEL MORAES MOURA, Agência Estado

11 Abril 2013 | 18h41

Segundo o deputado Macris, o general Elito demonstrou "grande preocupação" com o vazamento de documentos sigilosos produzidos pela Abin. O general informou que o diretor-geral da Agência, Wilson Trezza, que também participou do encontro, estava "fazendo levantamento" de como foi parar nas mãos da imprensa a "Ordem de Missão 022/82105", de 13 de março de 2013, que foi encaminhada a 15 superintendências da Abin e traz em destaque o alvo dos agentes: "Mobilização de Portuários". Além de Macris, os deputados Edinho Bez (PMDB-SC), Vanderlei Siraque (PT-SP) acompanharam a audiência com o ministro-chefe do GSI.

"Estávamos lá para pedir esclarecimentos em função de uma preocupação que existia no momento em que o PT, que sempre defendeu movimentos sindicais, de repente ter algum tipo de monitoramento mais aprofundado", afirmou Macris. "Diz ele (Elito) que é de rotina, todo monitoramento é feito em vários cenários. Estou convencido? Ainda não", prosseguiu. Macris deixou nas mãos do general um requerimento com treze perguntas relativas à reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo. "Quais equipamentos para a vigilância foram utilizados?" e "Quais pessoas foram monitoradas?" são alguns dos questionamentos do deputado.

Na audiência, o ministro-chefe do GSI confirmou que vai comparecer à Comissão de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso na próxima quarta-feira (17) para prestar esclarecimentos sobre o monitoramento da Abin em relação aos portuários. Segundo o deputado Edinho Bez, o general assegurou que não houve deslocamento de equipe para o Porto de Suape.

Briga política

Para Vanderlei Siraque, a Abin "não monitora pessoas, monitora cenários". E emendou: "é obrigação da Abin monitorar qualquer tipo de movimentação, de reivindicação e prestar informação para a Presidência da República, para os deputados, até para que haja negociação de eventuais conflitos sociais".

O vazamento de informações sigilosas da Abin preocupa não só o general do GSI, mas o Palácio do Planalto. O governo está convencido que este episódio é fruto da briga política instalada na Agência, que já protagonizou vários embates entre a Associação dos Oficiais de Inteligência (AOFI) e o general Elito.

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