Grupos voltam às ruas em atos contra e pró-impeachment

Grupos voltam às ruas em atos contra e pró-impeachment

Marcados para este domingo, protestos são antagônicos não apenas nas reivindicações, mas na expectativa de mobilização de manifestantes

Valmar Hupsel Filho, Pedro Venceslau e Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2016 | 17h18

A cerca de um mês da votação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado, milhares de pessoas devem voltar às ruas de centenas de cidades brasileiras neste domingo em manifestações organizadas por grupos pró e contra o impedimento definitivo da petista. Marcados para o mesmo dia, os protestos são antagônicos não só nas reivindicações, mas também na expectativa em torno da mobilização de manifestantes.

O Vem Pra Rua, principal organizador de atos pró-impeachment, sai isolado após desistência de outros grupos, como o Movimento Brasil Livre e o Nas Ruas. A expectativa do principal porta-voz do VPR, o empresário Rogério Chequer, é de um ato mais esvaziado que os anteriores, quando milhares de pessoas tomaram a Avenida Paulista e centros de outras cidades.

“Não é nosso objetivo quebrar recordes”, diz. Segundo ele, há uma menor mobilização porque há uma “transição de causas”. “As bandeiras estão mudando”, afirma. O grupo deve levar manifestantes às ruas em 201 cidades em 26 Estados brasileiros, além de 7 cidades no exterior. As principais bandeiras, além do impeachment, são o fim do foro privilegiado, a implantação do voto distrital e a renovação política.

Já a Frente Povo Sem Medo, que reivindica o retorno de Dilma à Presidência e defende a realização de novas eleições, estima ser este um dos seus mais representativos atos, confirmados em 15 capitais brasileiras e sete cidades no exterior. Em São Paulo, o ato será realizado no Largo da Batata, com possibilidade de seguir em marcha com destino a ser definido pelos manifestantes.

“Há uma mobilização mais forte que nos atos anteriores nas redes sociais. Nossa expectativa é de ser um ato relevante e seguramente maior do que eles vão fazer na Avenida Paulista”, diz o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulous, um dos organizadores da Frente Povo Sem Medo. Segundo ele, não há a intenção de seguir em direção à Paulista – para evitar confronto.

Além do “Fora Temer”, os motes são: o povo deve decidir, pano de fundo para o pedido de realização de novas eleições, a defesa dos direitos sociais e de uma reforma política. “Os atos foram marcados no mesmo dia para colocar de forma clara os dois projetos políticos que estão postos para o País”, resume.

Lurdinha e Evinha. A empresária Lurdinha Marques, de 47 anos, estará na Paulista enquanto a atriz Evinha Sampaio, de 57, irá para o Largo da Batata. Como não devem se encontrar, a reportagem pediu para que uma dissesse o que pensa da outra. “Se vai protestar contra a corrupção, porque ficou calada em relação ao Eduardo Cunha? Essas manifestações não são contra a corrupção. São contra o PT”, disse Evinha. Já Lurdinha diz que não consegue entender quem ainda defende Dilma: “Não fui eu quem colocou Temer lá. Foi a própria Dilma”.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.