Grupos se dizem 'traídos' por tucanos

Movimentos que organizaram protestos contra governo rejeitam decisão do PSDB de desistir, por ora, da tese do impeachment de Dilma

PEDRO VENCESLAU, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2015 | 02h04

A decisão do PSDB de abandonar a tese do impeachment da presidente Dilma Rousseff levou alguns dos principais grupos que convocaram manifestações contra o governo em março e abril a se rebelar contra a legenda.

Organizador de uma marcha em defesa do impedimento, que saiu de São Paulo no fim de abril e chegará dia 27 em Brasília, o Movimento Brasil Livre divulgou um comunicado atacando duramente os tucanos. "O PSDB anunciou que não vai aderir à pauta do impeachment, traindo assim os mais de 50 milhões de votos adquiridos na última eleição", diz o texto.

Na semana passada, representantes do grupo estiveram em Brasília reunidos com líderes de partidos de oposição. Eles dizem ter ouvido a promessa de que os parlamentares assinariam o pedido de impeachment assim que a marcha chegasse à capital federal. Vários deputados, entre eles Carlos Sampaio (SP), líder do PSDB na Câmara, Mendonça Filho (PE), líder do DEM, e o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), gravaram vídeos de apoio à caminhada.

'Traidor'. Os tucanos avaliam, reservadamente, rever a estratégia de dar apoio explícito à marcha. Eles reclamam da "intransigência" dos manifestantes.

Além do comunicado, o MBL e outros grupos menores divulgaram imagens nas redes sociais com a foto do senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente do partido, com os dizeres "Aécio traiu o Brasil".

Em vídeo postado no YouTube e Facebook, o líder do grupo de extrema-direita Revoltados Online, Marcelo Reis, hostilizou o ex-candidato presidencial do PSDB. "Aécio está sendo covarde. Dilma tem mais colhões que ele", disse Reis. Procurado, o senador não comentou.

Parte dos tucanos teme que a mudança de estratégia - abandonar a ideia de impeachment e investir na abertura de uma ação penal contra Dilma - repercuta mal nas bases do partido e entre o eleitorado de classe média. Parlamentares citam pesquisa do instituto Datafolha, feita em abril: 63% dos entrevistados apoiavam o impedimento.

O PSDB deixou de lado a tese do impeachment depois de receber um parecer do jurista Miguel Reale Junior. Ex-ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso, ele sugeriu uma ação penal contra a presidente pelas pedaladas fiscais - atraso nos repasses do Tesouro aos bancos estatais para o pagamento de benefícios sociais.

"O PSDB tem o dever de analisar o impeachment", disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). O líder da oposição na Câmara, Bruno Araújo (PSDB-PE), relativizou as críticas. "Temos que ter a maturidade de entender o grau de sacrifício físico e emocional deles. Vamos estender a mão quando a marcha chegar ao Congresso", afirmou.

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