Grupos rivais chamam atos anti-Temer

Manifestações estão marcadas para este domingo; nesta quinta, houve protestos por capitais. Rio registrou confronto entre mascarados e PMs

Gilberto Amendola e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2017 | 01h14

São Paulo, Rio, Brasília e outras capitais tiveram nesta quinta-feira, 18, manifestações pela renúncia de Michel Temer sob o efeito do pronunciamento em que o presidente afirmou que não entregaria o cargo. No Rio, houve confronto entre jovens mascarados e policiais militares, pondo fim em um ato até então pacífico na Cinelândia, no centro.

Os atos foram uma amostra do que deve acontecer no domingo, quando grupos ideologicamente rivais prometem ir às ruas do País. Desta vez, a polarização entre eles será baseada em diretas já versus “obediência à Constituição”.

Em São Paulo, o Vem Pra Rua e o MBL marcaram uma manifestação às 14 horas de domingo, na Avenida Paulista – mesmo horário e local em que vai ocorrer um ato organizado pela Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo. Durante o impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff, esses grupos estiveram em lados opostos e, em algumas situações, chegaram a entrar em embates físicos.

Agora, existe um aparente consenso em relação à necessidade de renúncia ou impeachment de Michel Temer, mas a concordância não vai muito além desse ponto. O Vem Pra Rua e o MBL, que defenderam a saída de Dilma, vão às ruas pedir a “prisão de todos os políticos acusados de corrupção” e “uma saída constitucional” para o pós-Michel Temer. Ou seja, eleições indiretas (como prevê a Constituição). Já a manifestação da Frente Brasil Popular e do Povo Sem Medo vai gritar por “diretas já” e prega o “fim imediato das reformas trabalhista e da Previdência”. 

Para o coordenador do Vem Pra Rua, Rogério Chequer, a manifestação do seu grupo não vai focar em Temer. “Nós queremos que todos os políticos envolvidos em corrupção terminem na cadeia. E, principalmente, pedir que as investigações contra o ex-presidente Lula continuem. Já existem provas suficientes para que ele também vá para a cadeia”, avisa.

“Nosso ato é um ato em defesa da Constituição. E a Constituição diz que o que vem a seguir, depois da queda de Temer, são eleições indiretas. O País precisa defender a sua Constituição”, completa Chequer.

Por outro lado, Vagner Freitas, presidente da CUT e representante da Frente Brasil Popular, avisa que o movimento convocado por eles vai pedir a realização de eleições diretas o mais rápido possível. “Um governo eleito indiretamente não terá legitimidade. Acreditamos que a saída para o País passa pela legitimação de um governo eleito”, diz Freitas.

Chequer afirma que conta com o apoio da polícia para que os ânimos dos grupos rivais não extrapolem o aceitável. “Até domingo haverá muita negociação com a polícia”, avisa. Já Freitas diz que não fomenta confusão e acredita na paz. “Eles têm uma pauta conservadora, mas faço o convite para que se juntem a nós no pedido de eleições diretas”, diz.

O #Nas Ruas, grupo que também atuou para o impeachment de Dilma, decidiu não participar da manifestação de domingo. “Ainda não está claro se Temer cometeu algum crime. Vamos esperar mais. Além disso, estou pedindo para as pessoas não irem. Tenho medo que haja um conflito sério por causa dos petistas e da CUT”, diz a coordenadora do #Nas Ruas, Carla Zambelli.

Confusão. Nesta quinta-feira, 18, manifestantes se reuniram na frente do Masp, na Avenida Paulista, em São Paulo, no segundo dia consecutivo de protestos.

No Rio, um confronto entre mascarados e policiais militares se espalhou pela Cinelândia por volta das 20 horas. A PM lançou bombas de gás para dispersar os jovens, que tinham incendiado lixo e disparado rojões na direção dos policiais. 

Em Fortaleza, protestos ocorreram no bairro Benfica. Em Brasília, um ato aconteceu nos arredores do Congresso Nacional. / COLABOROU FÁBIO GRELLET

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