Grupos prometem atos em todo o País

Hackers convocam manifestações contra a corrupção; Igreja Católica e movimentos sociais realizam o tradicional Grito dos Excluídos

O Estasdo de S. Paulo

06 de setembro de 2013 | 22h22

O feriado de 7 de setembro deve ser marcado por manifestações em todo o País. Além do tradicional Grito dos Excluídos – organizado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que reúne diversos movimentos sociais em passeatas paralelas às cerimônias de comemoração do Dia da Independência –, protestos contra a corrupção foram convocados pela internet em pelo menos 135 cidades brasileiras. Autoridades temem que as manifestações acabem em violência, a exemplo de episódios ocorridos durante os atos de junho.

Nesta sexta-feira, no pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, a presidente Dilma Rousseff afirmou que a população tem o direito de se indignar e de cobrar mudanças. Uma verdadeira operação de guerra foi montada na Esplanada dos Ministérios durante o desfile militar comandado pela presidente. A previsão era que Dilma desembarcaria em Brasília na madrugada deste sábado após viagem à Rússia, onde participou da reunião do G-20.

O secretário adjunto de segurança pública do DF, coronel Paulo Roberto Oliveira, disse que "o governo está preparado para dar uma pronta resposta a qualquer ato que ocorrer na Esplanada e na cidade, em geral".

Na sexta, cerca de mil manifestantes do Movimento dos Sem Teto bloquearam estradas no entorno do Distrito Federal cobrando a aprovação de um projeto de lei que pretende dar auxílio moradia a famílias carentes.

Páginas na internet associadas ao grupo hacker Anonymous Brasil convocaram ato contra a corrupção em pelo menos 135 cidades. A pretensão dos organizadores é realizar o "maior protesto da história do Brasil", como chamam o evento.

Reivindicações. No Facebook, mais de 400 mil pessoas já confirmaram presença. O movimento reivindica "prisão dos mensaleiros"e aprovação imediata de propostas no Congresso: lei de combate à corrupção; redução do número de deputados; reforma tributária; fim do voto obrigatório e aprovação do novo Plano Nacional de Educação.

Políticos do PT se sentiram atingidos e convocaram os militantes para também irem às ruas. Candidato à presidência do partido, Valter Pomar gravou vídeo em que chama os organizadores do protesto de "viúvas da ditadura militar" e "direitistas". Segundo ele, os manifestantes estariam contra a democracia, os direitos sociais e a esquerda.

O deputado federal Paulo Teixeira (SP), também candidato a presidente do PT, disse que os manifestantes querem usar esse dia para "atacar as vitórias" da sigla. "Nós, povo, juventude, movimentos sociais, temos que ir às ruas em defesa das transformações que estão acontecendo no nosso País", afirmou em vídeo divulgado na internet.

Há movimentações também na internet que sugerem ação de Black Blocs, grupos de mascarados que ficaram conhecidos por usar a depredação como forma de protesto.

Em São Paulo, diferentes grupos organizam atos para o início da tarde e elegeram como ponto de encontro o vão livre do Masp, na Avenida Paulista. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou ontem que o uso de máscaras nos protestos está permitido. Há 41 manifestações programadas no Estado.

Os que aderem à pauta contra a corrupção devem encontrar outros grupos nas ruas. Do Grito dos Excluídos participam igrejas, pastorais, movimentos sociais e populares e centrais sindicais. Este ano, a 19.ª edição tem como tema a juventude. A intenção é que o ato dialogue com as mobilizações que aconteceram a partir de junho, quando milhares de pessoas saíram às ruas em todo o País. 

BEATRIZ BULLA, TÂNIA MONTEIRO, ISADORA PERON e BRENO PIRES

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