GABRIELA BILO| ESTADAO
GABRIELA BILO| ESTADAO

Grupos pró e contra impeachment ocupam as ruas em seis capitais

São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Vitória e Brasília tiveram manifestações em reação à decisão do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão, de suspender processo de afastamento de Dilma

O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2016 | 18h31

Grupos ideologicamente opostos se mobilizaram nesta segunda-feira, 9, para ocupar parte da Avenida Paulista, em São Paulo. As manifestações ocorrem no mesmo dia da decisão do presidente interino da Câmara, deputado Waldir Maranhão (PP-MA), de anular sessões do impeachment na Casa. 

Por volta das 18h, o sentido Consolação da avenida estava fechado. Próximo à Alameda Casa Branca, havia um cordão de isolamento com 30 policiais. Na Avenida Paulista, estavam outros 30 policiais. A Polícia Militar isolou os grupos de manifestantes. O tenente coronel André Luiz afirmou que "o papel da polícia hoje será o de garantir o direito de manifestação".

Por volta das 18h30, um homem de aproximadamente 30 anos ultrapassou a barreira policial e chutou duas placas do movimento a favor do impeachment. Houve um princípio de confusão, e o homem que chutou as placas foi preso. 

Outro foco de confusão aconteceu por volta das 21h15, quando a polícia começava a dispersar os manifestantes pró-governo que ainda ocupavam a via.

Entidades. Os apoiadores da presidente Dilma Rousseff se concentraram no vão livre do Masp . A manifestação pró-governo foi organizada pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e outras entidades estudantis.

"Assim que o fato novo aconteceu, nós tentamos nos mobilizar no Brasil inteiro. A cada novo desdobramento, precisamos reagir nas ruas. Se existe uma esperança de vencer esse golpe, essa esperança nasce a partir das ruas", diz a diretora da UNE, Marianna Dias.

Poucos metros de distância, já na frente da Fiesp, concentram-se os apoiadores do impeachment. Um pouco mais espaçosos, chegaram a ocupar três faixas da paulista no sentido Paraíso. Capitaneados pelo grupo Nas Ruas, os manifestantes se dizem guardiões do processo de afastamento da presidenta.

"Hoje estamos fazendo um flash mob. Estamos aqui para mostrar que nada, nenhuma artimanha pode parar o processo democrático do impeachment", diz o diretor do Nas Ruas, Patrick Folena.

Rio. Cerca de cem pessoas se reúnem na Cinelândia, no centro do Rio, no início da noite desta segunda-feira, 9, para um ato de apoio à decisão do deputado Waldir Maranhão (PP-MA). 

O ato foi promovido pela Frente Brasil Popular, da qual fazem parte entidades contrárias ao impeachment, como a CUT. Estão presentes representantes de variados sindicatos, que discursam usando um carro de som. "Essa luta não vai se resolver no parlamento, mas sim aqui, nas ruas, de onde não deveríamos ter saído nunca", disse Orlando Guilhon, um dos líderes da Frente Brasil Popular no Rio.

Oito policiais militares acompanham o protesto, que segue sem tumulto. O único momento de tensão ocorreu quando um homem de aproximadamente 50 anos passou chamando o grupo de "bando de maconheiros". Ele foi embora sob gritos de "golpista".

Brasília. Manifestantes contra e a favor do impeachment travaram um duelo de palavras de ordem na Esplanada dos Ministérios. De um lado, o grupo pró-Dilma grita "Não vai ter golpe, vai ter luta". A poucos metros dali, defensores do processo de impeachment entoam "Fora PT" e "ladrões."

O movimento começou no fim da tarde desta segunda, quando integrantes do grupo favorável à presidente Dilma Rousseff começaram a ocupar o estacionamento do Senado, numa tentativa de pressionar o presidente da Casa, Renan Calheiros, a encaminhar o processo de impeachment novamente à Câmara dos Deputados.

"Vim para cá depois de um chamado nas redes sociais. Vamos ficar o tempo que for necessário", afirmava o servidor público André Carvalho. Empunhando uma bandeira do PT, o servidor Nonato Souza exibia ânimo semelhante. "No dia de hoje voltou a esperança. Vamos tentar mostrar o quanto todo esse processo estava incorreto. Talvez agora com maior diálogo consigamos mudar o rumo do impeachment", disse.

A poucos metros dali, na Esplanada dos Ministérios, separados por uma grade , o grupo pró-impeachment também se movimentava. "Não podemos assistir a tudo isso calados. Estamos aqui para protestar contra a ação deste deputado que, de ofício, tentou anular uma votação", afirmou o advogado Vernon Vidigal, que se diz um "agente unificador" dos movimentos Vem para a Rua, Foro de Brasília e MBL.

A polícia acompanha os dois grupos, mas, além da troca de gritos, não há sinais de enfrentamento. A estimativa é de que pelo menos 150 pessoas estejam reunidas no grupo contra o impeachment e cerca de 80, do grupo que pede a saída da presidente Dilma Rousseff. 

Porto Alegre. Na capital gaúcha, uma manifestação contra a decisão de Maranhão foi realizada nas cercanias do Parque Moinhos de Vento, o Parcão. O ato teve início às 19h e contou com a participação da Banda Loka Liberal, grupo que toca músicas de cunho político e contra a Presidente Dilma Rousseff.

A Brigada Militar não se pronunciou sobre o número de participantes. Já a organização do Movimento Brasil Livre foi procurada, mas não deu seus números.

A reportagem contou cerca de 30 manifestantes com faixas, cartazes e bandeiras verde e amarelo nos cruzamentos das avenidas Mostardeiro e Goethe. Uma das faixas tinha a inscrição "Não vai ter golpe", "Fora Dilma" e "Fora Cardozo".

Vitória.No início da noite desta segunda - feira, manifestantes favoráveis ao impeachment de Dilma realizaram ato na Praia de Camburi, em Vitória.

Segundo a médica e uma das líderes do movimento Fora Dilma no Espírito Santo,  Jéssica Polese, a determinação de Maranhão foi absurda. "Mesmo que o Senado não acate isso ou que o STF rejeite, é um absurdo", disse Jéssica.

Cerca de 100 pessoas, de acordo com os organizadores, participaram do movimento, que promete se mobilizar todos os dias para que o processo não seja adiado.

Um trio elétrico acompanhou o movimento,  que teve apoio dos motoristas que passavam pelo local e buzinavam. A PM não contabilizou o número de participantes.

Belo Horizonte. Na capital mineira, cerca de 200 pessoas participaram de manifestação contra a decisão de Maranhão na Praça da Savassi.

O cálculo do número de manifestantes foi feito pelo Movimento Vem pra Rua, que organizou o protesto juntamente com o grupo Patriotas. "Tentaram dar um golpe no Estado de Direito", afirmou o coordenador do Vem pra Rua, Max Fernandes. A Polícia Militar ainda não fez estimativa do público, que gritava palavras de ordem "fora Dilma" e "vai ter impeachment".

Segundo Fernandes, a manifestação prevista para o dia 11 de maio, data da votação do impeachment da presidente no Senado, está confirmada mesmo com a possibilidade, admitida pelo líder do movimento, de a decisão sobre o destino de Dilma ficar a cargo do Supremo Tribunal Federal (STF), por conta da decisão de Maranhão.

O protesto será realizado novamente na Savassi, já que integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que apoiam o governo, montaram acampamento na Praça da Liberdade há uma semana. O local é tradicionalmente utilizado em manifestações contra Dilma. (GILBERTO AMENDOLA, FÁBIO GRELLET, LÍGIA FORMENTI, LUCAS AZEVEDO, LEONARDO AUGUSTO E LUCIANA ALMEIDA, ESPECIAL PARA O ESTADO)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.