Grupos enfrentam polícia e invadem até desfiles cívicos

Convocados por redes sociais como ‘a maior manifestação da história’, protestos têm mobilização menor que as registradas em junho, mas se espalham pelas grandes cidades do País

O Estado de S. Paulo

07 de setembro de 2013 | 21h04

O Dia da Independência, para o qual alguns grupos da internet prometiam "o maior protesto da história do Brasil", foi marcado menos pela quantidade de pessoas nas ruas e mais por confrontos entre manifestantes e policiais. Os primeiros conflitos ocorreram pela manhã nos desfiles militares e durante toda a tarde grupos dispersos repetiram os choques com policiais nas principais capitais do País. Mascarados foram monitorados ou presos. O aparato policial, em alguns casos, chegou a ser maior do que o número de pessoas protestando.

Havia dois tipos de manifestantes: os tradicionais participantes das marchas do Grito dos Excluídos - organizadas pela Igreja Católica e engrossadas por representantes de movimentos sociais - e os grupos convocados via redes sociais, que mantêm as "pautas difusas" levantadas nos protestos de junho e agregam táticas de manifestação violentas, como o movimento Black Bloc. Mais de 200 pessoas foram presas nas principais capitais do País.

O protesto em São Paulo, iniciado na Avenida Paulista, terminou em confronto no fim da tarde, quando manifestantes tentavam invadir a Câmara Municipal, no centro da cidade. Ao longo das vias centrais, manifestantes picharam prédios com mensagens de protestos contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB). Parte do grupo também depredou agências bancárias. O protesto reuniu ao todo 1.5 mil pessoas. Até o final da noite a polícia havia confirmado a prisão de 11 pessoas e um ferido.

O repórter fotográfico Tércio Teixeira informou à Folha que foi "atingido de raspão", aparentemente por estilhaços de bala. A secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que o disparo com arma letal foi feito por um policial que foi cercado por manifestantes quando passava de moto pela praça João Mendes. Segundo a assessoria, o PM foi atingido por um cartaz, caiu da moto, e foi ameaçado por manifestantes que falavam em tirar sua arma.

Ainda segundo a SSP-SP, o policial se recuperou, saiu correndo a pé e, em seguida, deu um tiro para o chão. Segundo a assessoria, o fotógrafo estava mascarado e não registrou boletim de cocorrência até a noite deste sábado. Afirmou ainda que "o episódio será apurado" e a secretaria tomará todas as medidas cabíveis assim que se esclarecer o caso.

No Rio, apesar do reforço policial - cerca de dois mil PMs faziam a segurança no centro -, integrantes do movimento Black Bloc conseguiram invadir, pela manhã, a Avenida Presidente Vargas durante o desfile de 7 de setembro. Houve confronto com a polícia. Ao todo, 77 pessoas foram detidas e 12 ficaram feridas. No fim da tarde, os manifestantes seguiram para o Palácio Guanabara, sede do governo estadual, na zona sul, onde novos enfrentamentos aconteceram.

Em Brasília, as manifestações resultaram em 39 detenções. Os protestos começaram pacificamente durante o desfile militar na Esplanada dos Ministérios, mas no fim da manhã se transformaram em confrontos, que se espalharam por toda a região central da cidade.

No início da tarde houve uma tentativa de invasão da sede da Rede Globo, onde manifestantes quebraram janelas de três carros de funcionários. Estabelecimentos comerciais e automóveis foram depredados. Um shopping próximo precisou proibir a entrada e saída de pessoas durante a confusão e permaneceu protegido por mais de meia hora pelos policiais.

Seleção. No começo da tarde, manifestantes tentaram seguir em direção ao Estádio Mané Garrincha, onde as seleções de Brasil e Austrália disputaram uma partida amistosa, mas as cerca de 400 pessoas que compunham o grupo foram dispersadas com bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral. A tropa de choque também utilizou balas de borracha. Foram registrados confrontos também em frente à Rodoviária do Plano Piloto. Comerciantes foram obrigados a fechar as portas de suas lojas.

No fim da tarde, um grupo de pessoas tentou voltar ao Congresso, mas foi dispersado por jatos d’água e mais bombas lançadas pelos policiais.

Em Salvador, dois ônibus foram apedrejados e um incendiado. Dois pontos de ônibus foram danificados e uma fachada do Banco do Brasil foi destruída. Banheiros químicos também foram quebrados pelos manifestantes, alguns deles com os rostos cobertos. Pelo menos 23 pessoas foram detidas.

O confronto em Belo Horizonte teve início quando manifestantes tentaram depredar o relógio da Copa do Mundo de 2014 na Praça da Liberdade, região centro-sul da cidade. A PM usou armas de choque. Pelo menos 25 pessoas foram presas e quatro menores apreendidos. Em Fortaleza, 30 mascarados foram detidos. Segundo a PM, eles portavam bombas, paus e pedras: um deles levava um manual de guerrilha na mochila.

Governadores. Em Maceió, o desfile cívico teve de ser interrompido após manifestantes do Grito dos Excluídos invadirem a avenida onde acontecia o evento. O grupo foi até o palanque de autoridades. O governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), teve de sair às pressas, escoltado.

Outros cinco governadores - do Rio, Sergio Cabral (PSDB); do Ceará, Cid Gomes (PSB); do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini (DEM); de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) e de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), preferiram não correr risco: optaram simplesmente por não comparecer às comemorações oficiais dos seus Estados.

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