Grupos enfrentam polícia e até invadem desfiles cívicos durante protestos

Manifestações não tiveram a participação esperada pelos ativistas; a presidente Dilma Rousseff não presenciou protestos

O Estado de S. Paulo

07 de setembro de 2013 | 16h37

O Dia da Independência, para o qual alguns grupos da internet prometiam “o maior protesto da história”, foi marcado menos pela quantidade de gente nas ruas e mais por confrontos entre manifestantes e PMs que faziam a segurança de desfiles cívicos. Grupos dispersos também repetiram os confrontos com policiais durante toda a tarde. Mascarados foram monitorados ou presos. O aparato policial nas capitais, em alguns casos, chegou a ser maior do que o número de pessoas protestando.

Havia dois tipos de manifestantes: os tradicionais participantes das marchas do Grito dos Excluídos, organizadas pela Igreja Católica e engrossadas por membros de movimentos sociais  e os grupos convocados via redes sociais, que mantém as “pautas difusas” levantadas nos protestos de junho e agregam táticas de manifestação violentas, com o Black Bloc

No Rio de Janeiro, cerca de 300 pessoas lideradas pelo movimento Black Bloc tentaram invadir o desfile militar na Avenida Presidente Vargas, no centro. Houve ao menos 24 prisões – os detidos eram liberados em seguida. Seis pessoas ficaram feridas no confronto. Mais uma vez, o governador Sérgio Cabral (PMDB) foi o alvo preferencial dos manifestantes.

Pimenta. Em Brasília, apesar dos gritos de alguns manifestantes para “invadir” o Congresso, a situação foi bem diferente de junho, quando um grupo que integrava uma multidão furou o bloqueio e subiu a rampa do prédio. Um princípio de tumulto foi rapidamente disperso pela PM.

No momento de maior concentração, o protesto reuniu e mil pessoas. Quem estava mascarado foi “catalogado” pela PM, que os obrigou a tirar a máscara e os fotografou. Cerca de 4 mil soldados foram mobilizados. Ou seja, havia mais segurança que manifestantes.

Depois, grupos dispersos se espalham. Havia correria e protestos localizados, principalmente próximo ao estádio Mané Garrincha, onde a seleção brasileira de futebol jogaria – os altos gastos públicos com a Copa do Mundo no Brasil no ano que vem são alvos dos manifestantes pelo País desde junho. A polícia usou gás de pimenta e houve confrontos localizados.

Antes, um grupo que subia a Esplanada dos Ministérios rumo ao estádio tentou invadir a sede da TV Globo. Alguns jogaram pedras, mas foram contidos pela PM, que usou bombas de gás e spray de pimentas. O grupo então dirigiu até uma concessionária de veículos, que teve vidros quebrados.

Interrupção. Em Maceió, o desfile cívico teve de ser interrompido após manifestantes do Grito dos Excluídos invadirem a avenida onde acontecia a programação oficial. O grupo foi até o palanque de autoridades. O governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB), precisou sair as pressas escoltado.

Presos. Em Fortaleza, o aparato policial foi grande. Trinta pessoas foram detidas mascaradas e portando bombas de gás, paus, pedras e baladeiras e até uma com manual de guerrilha na mochila, segundo balanço apresentado pelo comandante da operação, coronel Túlio Studart.

A Justiça proibiu que manifestantes fossem para Beira Mar mascarados. A PM não estimou o número de manifestantes, pois eles se dividiram em vários grupos e em vários locais do desfile cívico na Avenida Beira Mar. O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB) e o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PSB) não compareceram ao desfile. O Colégio 7 de Setembro não desfilou devido uma orientação da direção da escola que temia pela “integridade física” de seus alunos. Foi a primeira vez em 78 anos de fundação que a escola não participou do evento.

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