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Grupos de manifestos pró-democracia não recomendam presença em atos de rua

Representantes de entidades citam risco de contágio em meio à pandemia e chance de ocorrer brigas com apoiadores de Bolsonaro

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2020 | 17h29

Grupos que divulgaram manifestos pró-democracia não recomendam a presença de apoiadores nos atos marcados para domingo por torcidas organizadas e movimentos sociais de esquerda.

Há o temor por parte desses grupos, criados por entidades da sociedade civil e personalidades, que a manifestação termine em briga generalizada, como ocorreu domingo passado, o que daria uma narrativa para o governo Jair Bolsonaro condenar seus adversários – o presidente já classificou os manifestantes contrários a seu governo de “idiotas, marginais e viciados”. Além disso, os grupos citam o risco de contaminação em meio à pandemia do novo coronavírus.

Para o sociólogo Marcelo Issa, coordenador do Transparência Partidária, uma das 130 organizações que fazem parte do Pacto pela Democracia, o ponto principal é a questão sanitária e a violência por parte dos bolsonaristas nas ruas. “A utilização do ato pelo governo para justificar a ruptura não é o cenário mais provável. O que me preocupa é a atuação de civis armados e a reação dos que apoiam Bolsonaro”, afirmou o sociólogo.

Ele defende que durante a pandemia as manifestações contra o governo ocorram em formatos alternativos, como panelaços e panos pretos nas janelas das casas. “Mas não condeno quem sai às ruas, mas com todos os cuidados que não vemos nas manifestações pró-governo”.

Criador do Somos 70%, engenheiro Eduardo Moreira disse que “respeita e compreende” quem for para a Avenida Paulista no domingo. “Não recomendo que se juntem ao ato pelo risco sanitário, mas respeito e recomendo as pessoas que cruzaram essa linha. A gente compreende quem vai”.

“O campo progressista está dividido sobre a manifestação. Há uma preocupação interna nossa que a manifestação possa ser usada por Bolsonaro como justificativa para o endurecimento desse governo autoritário”, afirmou o advogado Marco Aurélio Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas (que reúne advogados e juristas) e integrante do Basta!, movimento de oposição criado no meio jurídico.

Partidos e lideranças de oposição por sua vez desencorajam as participação no ato de domingo. A Rede e o PSB divulgaram notas nessa linha e lembraram que o coronavírus já deixou mais de 30 mortos no Brasil.

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