Nelson Jr/STF
Nelson Jr/STF

Grupos bolsonaristas tentam contornar suspensão do Telegram

Apoiadores sugerem redes privadas e outras redes sociais, como o Gettr, usado pelo presidente

Levy Teles, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2022 | 17h06
Atualizado 18 de março de 2022 | 17h55

Grupos de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro se mobilizaram para buscar alternativas à proibição do uso da plataforma Telegram pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, nesta sexta-feira, 18. A rede social é uma das preferidas de Bolsonaro — lá, seu principal canal tem cerca de 1,1 milhão de inscritos, um número muito superior aos quase 49 mil seguidores no perfil oficial do petista Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo. Na plataforma, grupos podem ter até 200 mil usuários; canais de transmissão podem ter audiência ilimitada.

Apoiadores divulgavam, principalmente, formas de como usar uma rede virtual privada (VPN) ou de ter acesso a um proxy. Ambos têm a mesma finalidade: mascarar a origem de acesso de um internauta. Uma pessoa no Brasil pode simular que está usando a internet em outro país. Na ordem de Alexandre, pessoas naturais e jurídicas que usarem “subterfúgios tecnológicos” para continuarem a usar o Telegram estarão sujeitas a “sanções civis e criminais”, e multa diária de R$ 100 mil.

Grupos antivacina e de apoiadores de Adolf Hitler, líder da Alemanha nazista, também divulgaram formas de como driblar o bloqueio imposto pelo ministro do STF.

A ação foi recomendada por influenciadores como o blogueiro Allan dos Santos, que teve sua conta original banida no Brasil em 26 de fevereiro. Quando banido, Allan dos Santos criou uma conta alternativa e informou que quem estava em outro país ou usava uma VPN conseguia ter acesso ao canal original.

O influenciador bolsonarista Bernardo Küster divulgou em seu canal com mais de 60 mil seguidores o uso de proxy como alternativa para o uso do Telegram. Ele postou duas possíveis alternativas de proxy, com endereços para Estados Unidos e outros países europeus. A mensagem recirculou em grupos antivacina.

“Nesse novo Brasil, aprenda a usar VPN e criar uma conta no Gettr e no Clouthub”, escreveu dos Santos às 16h06 desta sexta-feira em sua conta alternativa na rede, que ainda estava ativa e tinha cerca de 50 mil inscritos. Poucos minutos depois, ele foi novamente banido da plataforma.

O Gettr se define como uma rede social que “rejeita a censura política e a ‘cultura do cancelamento’”. Ela tem o apoio direto de Bolsonaro, seus filhos e influenciadores bolsonaristas, que estão presentes na plataforma. O Clouthub é uma outra rede para o qual grupos de extrema-direita migraram em massa.

Levantamento do site de notícias americano Axios aponta que houve um aumento no número de downloads da rede em mais de 100% entre os dias 5 e 9 de janeiro do ano passado - no dia 6 de janeiro, apoiadores do ex-presidente Donald Trump invadiram o Capitólio americano para impedir a confirmação de Joe Biden como presidente americano. Cinco pessoas morreram nos conflitos.

Apoiadores de Bolsonaro nos grupos atacaram Alexandre de Moraes com xingamentos e alguns protestaram contra o que chamaram de inação do presidente sobre o tema. 

Em outros grupos, usuários divulgaram mensagens sinofóbicas, dizendo que chineses comem bebês e outra ataca o humorista Danilo Gentili, chamando-o de “judeu maçom”. Administradores de páginas em apoio a Bolsonaro criaram canais na rede social Discord para que os seguidores migrassem. O Discord é uma plataforma que permite que usuários se comuniquem por texto e por voz. Apenas membros dos grupos podem saber o conteúdo das mensagens.

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