Grupo tenta continuar na Lagoa

Moradoras do Sacopã, área nobre do Rio, 7 famílias esperam legalização

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2012 | 00h00

Uma segunda área nobre e urbana do Rio também está sendo analisada pelo Incra. Fica no final da Ladeira do Sacopã, na Lagoa, uma das áreas mais nobres da zona sul da capital, e possui uma vista de cartão-postal.Mas, enquanto a demarcação da Pedra do Sal depende do entendimento de um conceito mais abstrato de quilombo, a do Sacopã obedece ao significado do dicionário. De acordo com o Houaiss, quilombo é um local escondido, geralmente no mato, onde se abrigavam escravos foragidos.A pequena comunidade quilombola, já reconhecida pela Fundação Cultural Palmares, possui hoje sete famílias, todas elas descendentes do casal de escravos Maria Rosa da Conceição do Carmo e Manoel Pinto.HISTÓRIANo final do período da escravidão no País, por volta de 1880, eles fugiram de uma fazenda de café em Nova Friburgo, na região serrana do Rio. Foram para o Quilombo da Catacumba, morro vizinho do Sacopã e que no século seguinte se transformaria na maior favela do Rio. Depois, se transferiram para o Morro da Saudade.''''Meus avós já eram mestiços de africano com português e ficaram bem escondidos em uma caverna, encravada no morro, no meio da mata. Quando exatamente chegaram aqui eu não sei. Ficávamos assentados a 200, 300 metros mais acima'''', conta, com orgulho, o compositor e cantor de samba Luís Sacopã, que mora no terreno com a mulher, os filhos e os irmãos. ''''Já estamos na quinta geração e há 104 anos nesse lugar.''''A relação com os moradores é tranqüila e amistosa, diz ele, com algumas exceções. ''''A gente só não se dá com especulador imobiliário e quadrilha que grila terra'''', brinca. Segundo Luís, alguns edifícios de classe média alta construídos na região também não têm registro.A família que adotou o Sacopã como sobrenome já foi ameaçada de despejo quatro vezes. Duas vezes pela prefeitura e duas pelo Estado. Eles ganharam na primeira instância o processo por usucapião, mas perderam a causa na segunda.

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