Grupo quer recriar sigla que apoiou regime militar

A publicação do estatuto da Aliança Renovadora Nacional (Arena) surpreendeu muitos leitores do Diário Oficial da União nesta terça-feira e chamou a atenção para a iniciativa de um grupo de 144 pessoas, de 15 Estados diferentes, mobilizadas para criar um novo partido político que resgate o nome, a sigla e os ideais do antigo, que deu apoio político ao regime militar entre 1966 e 1979.

ELDER OGLIARI, Agência Estado

13 de novembro de 2012 | 19h33

A divulgação do documento, assinado pela estudante de Direito da Universidade de Caxias do Sul (RS) Cibele Bumbel Baginski, de 23 anos, presidente provisória da nova Arena, é o primeiro movimento formal para a criação do novo partido. Nos próximos meses o grupo de fundadores espera obter as 491 mil assinaturas necessárias de eleitores de pelo menos nove Estados para receber o registro partidário no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Pelo estatuto, a Arena "possui como ideologia o conservadorismo, nacionalismo e tecno-progressismo, tendo para todos os efeitos a posição de direita no espectro político" e atribui a um "conselho ideológico" o poder de aprovar as correntes e tendências que venham a se formar internamente. Também proclama que vai lutar "contra a comunização da sociedade e dos meios de produção" e proíbe coligações com siglas que defendam o comunismo ou tenham vertentes marxistas.

Entre as propostos do novo partido estão a privatização do sistema penitenciário, abolição de qualquer sistema de cotas, aprovação da maioridade penal aos 16 anos, retorno das disciplinas de moral e cívica e latim ao currículo escolar, retomada do controle de estatais fundamentais à proteção da nação e reaparelhamento das forças armadas.

"Em vários aspectos herdamos a história da Arena", admite Cibele, que acredita que as tendências de direita que a sigla quer agrupar podem trazer mudanças ao cenário político nacional. Ao comparar a sigla que apoiava o regime militar e a que quer fundar, a estudante diz que o partido dos anos 60 e 70 atuava dentro da legalidade da época. "Nós seguiremos a legislação atual, que é diferente", afirma. Nascida em família de comerciantes, Cibele não faz projeções políticas pessoais, nem se considera líder, mas "simplesmente alguém que faz o que deve ser feito".

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