DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Após tentativa de obstrução, bolsonaristas querem derrubar líder do PSL na Câmara

Tentativa é mais um capítulo da crise interna do partido do presidente Jair Bolsonaro

Camila Turtelli e Renato Onofre, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2019 | 18h33
Atualizado 16 de outubro de 2019 | 09h56

BRASÍLIA – Após o deputado Delegado Waldir, líder do PSL na Câmara, se unir à oposição para tentar obstruir a medida provisória que trata sobre a reformulação da estrutura do Poder Executivo e mexe com pontos sensíveis como o antigo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), deputados bolsonaristas iniciaram um movimento para destituir o parlamentar da função.

A manobra de Waldir adiou a votação por duas horas, mas a obstrução caiu. A Câmara concluiu a votação na noite desta terça-feira, 15 – todos os destaques à medida foram rejeitados. A matéria agora vai ao Senado e precisa ser aprovada até esta quarta-feira, 16, para não perder a validadeo. Caso contrário, o texto caduca e as modificações propostas por Bolsonaro caem. 

O movimento do líder do PSL serviu de sinal para a deputada Bia Kicis (PSL-DF) e o deputado Filipe Barros (PSL-GO) acelerarem o movimento coletando assinatura da bancada para tirar Waldir do cargo. O líder tem papel fundamental na estrutura da Câmara. A pauta de votações da Casa é discutida na reunião de líderes. 

Barros quer o cargo de Waldir e já anunciou internamente como candidato no ano que vem. O mandato do líder do PSL termina no final do ano. Para conseguir uma nova votação para mudar a liderança são necessários 27 deputados assinando a lista. Atualmente, o grupo tem 22 adesões. 

O líder tem a prerrogativa de orientar o partido, participar dos trabalhos de qualquer comissão (mesmo daquelas em que não for integrante); indicar membros da bancada que irão integrar as comissões; registrar candidatos a cargos da Mesa e inscrever membros da bancada para comunicações parlamentares.

O líder do PSL tentou minimizar o movimento para a obstruir a votação. Ele negou retaliação do partido em relação ao governo do presidente Jair Bolsonaro. “Continuamos defendendo o governo, somos Bivar, somos Bolsonaro”, disse.

Waldir disse ainda que, apesar da crise, não há uma divisão no partido. “Foi criada uma tempestade que não foi criada por mim e nem pelo partido”, disse. “Nós somos todos bolsonaristas”, disse.

Ele reforçou que o partido sempre acompanha o governo. Questionado porque então havia orientado obstrução na votação de hoje da MP 886, ele disse que havia feito isso para que parlamentares não levassem faltas. “Os parlamentares em sua maioria estavam em reunião aqui na liderança e para que eles não levassem faltas eu tive de sair correndo aqui para obstruir, mas já vou lá e vou adequar essa orientação”, disse.

A tentativa de derrubar Waldir é mais um capítulo da crise interna do PSL que foi agravada nesta terça-feira após a Polícia Federal deflagrar uma operação contra o presidente do PSL, Luciano Bivar (PE). “É muito estranho. Me parece que algumas pessoas já sabiam uma semana antes”, disse. Ele questionou também porque a polícia demorou tanto tempo para se fazer uma busca. “Você faz a busca logo no começo da investigação. Depois é circo”, disse o líder do PSL.

Bolsonaro não sabia da operação da PF, diz porta-voz

Na terça-feira passada, o presidente Jair Bolsonaro externou a crise ao pedir a um militante que “esquecesse o PSL” e dizer que Bivar estava “queimado para caramba”. No dia seguinte, Bolsonaro recebeu o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e o diretor-geral da PF, Maurício Leite Valeixo.

O porta-voz da Presidência da República, general Otávio do Rêgo Barros, afirmou que Bolsonaro não sabia que a operação seria realizada nesta terça-feira.  Segundo o porta-voz, Bolsonaro não considera a operação da PF contra o presidente do PSL “justa causa” para deixar a sigla.

“O presidente não entende como ‘justa causa’ (a operação da PF). Até porque seria como antever o futuro. E nenhum de nós é vidente em situações políticas”, disse Rêgo Barros.

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