Gleison Miranda/FUNAI
Gleison Miranda/FUNAI

Grupo nega ter enganado mídia sobre tribo isolada da Amazônia

No último domingo, jornal britânico afirmou que tribo era conhecida do governo brasileiro havia quase cem anos

STUART GRUDGINGS, REUTERS

24 de junho de 2008 | 16h30

Uma organização que defende os direitos dos povos indígenas negou nesta terça-feira, 24, que, junto com o governo brasileiro, tenha enganado a mídia no mês passado sobre fotos de uma tribo isolada da Amazônia. O jornal britânico Observer informou no último domingo que a tribo não seria "não descoberta", mas sim conhecida do governo brasileiro há quase cem anos, e que as fotos foram uma tentativa de divulgar o risco que os índios enfrentam por causa da ação dos madeireiros.  

 

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A reportagem levou alguns órgãos de imprensa a qualificar as fotos de fraude. Mas a organização que ajudou a divulgar as fotos no dia 29 de maio, a Survival International, cuja sede fica em Londres, afirmou que não havia descrito a tribo como "perdida" e havia dito na época que o objetivo era mostrar ao mundo sua existência.     "Esses índios estão em uma reserva expressamente estabelecida para a proteção das tribos não-contactadas. Dificilmente eles eram 'desconhecidos"', assinalou em um comunicado o diretor da Survival International, Stephen Corry. "O que é verdade, e continua sendo, é que até onde se sabe até agora, estes índios não tiveram nenhum contato pacífico com pessoas de fora."

As fotos dos índios pintados com pigmentos e ameaçando com arcos e flechas o avião onde estava o fotógrafo foram divulgadas pela mídia do mundo todo. Muitos órgãos de imprensa informaram que se tratava de uma tribo "perdida" e uma descoberta completamente nova. O funcionário da Funai José Carlos Meirelles, que tirou as fotos, disse à época: "Nós fizemos o sobrevôo para mostrar as casas, para mostrar que eles estão lá", segundo a Survival International.

Em uma entrevista à TV árabe Al Jazeera, que o Observer usou como fonte para sua reportagem, Meirelles deixou claro que encontrar a tribo não foi tarefa fácil. Usando coordenadas de satélite, ele disse ter sobrevoado uma ampla área da floresta por três dias e somente ter localizado a tribo no terceiro dia, quando faltavam poucas horas para terminar o vôo. O Observer não fez comentários de imediato sobre sua reportagem.

O diretor da Survival disse que a decisão de fotografar os índios se justificou porque aumentou a pressão sobre o governo peruano para que houvesse ações contra o corte de madeiras perto da fronteira com o Brasil. Os defensores das tribos dizem que os madeireiros são a principal ameaça aos povos indígenas da região. "A publicação das fotos levou o governo peruano a investigar o fato, o que foi um grande passo, uma vez que apenas alguns meses atrás o presidente do Peru questionou publicamente a existência de índios não-contactados", disse ele.

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