Grupo invade obra em Tucuruí

Manifestantes querem indenização de R$ 60 mil pelas casas que terão de deixar; usina concorda com até R$ 8 mil

Carlos Mendes, O Estadao de S.Paulo

17 de outubro de 2007 | 00h00

O canteiro de obras das eclusas da Hidrelétrica de Tucuruí, localizada no sudeste do Pará (a 400 quilômetros de Belém), foi invadido e está ocupado desde a noite de segunda-feira por 500 moradores de comunidades de pescadores que habitam o entorno do lago da usina.Os trabalhadores são ligados ao Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o mesmo que em maio passado ocupou por quatro dias a sala de controle e a casa de máquinas da hidrelétrica. Os invasores informaram que a ocupação das eclusas tem como objetivo cobrar das Centrais Elétricas do Norte (Eletronorte) o aumento no valor da indenização oferecido às famílias para que deixem suas casas, na área onde estão sendo realizadas as obras. Dessa vez, os moradores tomaram máquinas e equipamentos dos operários da usina. O Exército, que está no local desde maio, reforçou os procedimentos de segurança na segunda-feira. VALORESA Eletronorte calculou entre R$ 3 mil e R$ 5 mil o valor de cada casa e concorda em pagar um pouco mais, estabelecendo o limite máximo de R$ 8 mil por imóvel.Para a líder do Movimento dos Atingidos por Barragens, Euvanice Furtado, a proposta da empresa é "ridícula".O pedido inicial de indenização para cada família era de R$ 30 mil. Porém, depois que os moradores passaram a ser pressionados pela Eletronorte a sair das casas, o MAB decidiu dobrar esse valor. A central elétrica alega que precisa concluir as eclusas rapidamente."Se quiserem tirar as famílias, terão de pagar R$ 60 mil por cada imóvel. É um valor justo para quem vai recomeçar a vida do zero", justificou a organizadora do movimento de moradores.Como as partes ainda não chegaram a um acordo, os invasores decidiram paralisar as obras, impedindo caminhões e tratores de circular pelo canteiro das eclusas.A adesão ao protesto dobrou entre a noite de segunda-feira e a tarde de ontem, passando de 250 para 500 pessoas.A maioria dos moradores vive na área por onde passará um canal depois que as eclusas estiverem concluídas. Todos residem no local conhecido como Poeirão, no bairro da Matinha, no município de Tucuruí.PRESIDÊNCIAA líder do MAB informou também que as famílias não pretendem mais negociar valores da indenização com a Eletronorte nem com o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT). De acordo com Euvanice Furtado, o assunto, a partir de agora, vai ser tratado diretamente com a Casa Civil da Presidência da República, pois é lá que será "garantida a verba para atender à população".As assessorias de imprensa da Casa Civil e da Eletronorte informaram que ainda não receberam nenhum documento com a pauta de reivindicações dos moradores da região afetada pelas obras da central elétrica no Pará.

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