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Grupo Estado vence Prêmio Vladimir Herzog nas categorias internet e jornal

Foram escolhidos pelo júri o especial mulmitídia Rota 66, a confissão e o caderno especial Favela Amazônia

O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2015 | 14h12

Brasília - O Grupo Estado venceu duas categorias do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, principal distinção de reportagens sobre a defesa da vida no País. Rota 66, a Confissão (categoria internet), de Marcelo Godoy e Bruno Paes Manso, e Favela Amazônia, um novo retrato da floresta (categoria jornal), de Leonencio Nossa e Dida Sampaio, foram destacadas pelo júri da premiação, que se reuniu na manhã desta quarta-feira, 30, na Câmara Municipal de São Paulo. O prêmio foi criado em 1978 pela família do jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura militar, e pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo.

Publicado em julho, o caderno especial Favela Amazônia apresenta, numa investigação jornalística própria, o avanço do tráfico de drogas, da criminalidade e das violações de direitos humanos na Região Norte. O levantamento do jornal apontou que 37,4% dos moradores das maiores cidades amazônicas vivem em área de tráfico.

O especial multimídia Rota 66 revela que três jovens paulistanos da zona sul da capital foram massacrados numa ação dos homens das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) na madrugada de 23 de abril de 1975. Num esforço de reportagem, Marcelo Godoy e Bruno Paes Manso apresentaram uma confissão inédita do coronel Antônio Erasmo Dias, morto em 2010. Na época em que chefiou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, Dias ajudou a fraudar a investigação de um crime da polícia.

Homens da Rota metralharam o Fusca em que estavam Francisco Nogueira Noronha, o Chiquinho, Carlos Ignácio Rodrigues Medeiros, o Pancho, e João Augusto Diniz Junqueira, o Gugu. Os jovens foram confundidos com bandidos perigosos.

A categoria internet também premiou em primeiro lugar a reportagem As quatro estações de Iracema e Dirceu, do Diário Catarinense, divulgado em 21 de junho deste ano, que acompanhou, ao longo de dois anos e sete meses, uma família de agricultores em estado de miséria. "Premiar a reportagem Rota 66 é valorizar um investimento de jornal em internet que ainda não é certo no mercado", destacou o júri. "É um incentivo a outras matérias e investimentos ousados como esse material."

Com texto e fotografias da equipe do Estado em Brasília, o especial Favela Amazônia foi editado por Luciana Garbin e contou com a direção de arte de Fábio Sales. Um dos mais destacados críticos de comunicação do País, o jornalista e doutor Manuel Carlos Chaparro, relator da categoria jornal, afirmou que Favela Amazônia apresenta "alto profissionalismo" na pauta, na apuração, no produto final e na edição, com ousadia, originalidade, ética e clareza de texto. O júri destacou que o caderno do Estado veio num momento especial. "É bom que temos profissionais que reinventam a nossa profissão num momento especial e difícil. Está havendo uma recuperação do jornalismo impresso no mercado internacional e que no Brasil isso já está presente na "Favela Amazônia"."

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