Grupo dos 30 do PT quer nova negociação para Previdência

Representantes do chamado Grupo dos 30, que reúne deputados das correntes mais à esquerda do PT, saíram de uma reunião com o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), na qual pediram nova negociação da proposta de reforma da Previdência, antes de sua votação no plenário da Câmara. Em nota intitulada "Previdência: Na Vez do Plenário, a Voz do Diálogo", o grupo afirma que é necessário corrigir distorções no texto da proposta quanto aos limites de isenção de reduções de pensões e de contribuição dos aposentados; garantir paridade plena e regras de transição que preservem direitos adquiridos - como as aposentadorias especiais do magistério - e fixar normas claras sobre os fundos estatais complementares, bem como para o combate à sonegação e ao desvio de recursos destinados à cobertura previdenciária. Também na nota, o grupo diz que "a reconstrução do Estado brasileiro - minimizado e privatizado pela década neoliberal precedente, com grande desprezo pelos seus trabalhadores - exige valorização do serviço público como condição prévia para um projeto de país desenvolvido e igualitário. Por conseqüência, impõe-se uma Previdência que não fique à mercê das oscilações do mercado financeiro e seja, portanto, inclusiva, equilibrada, distributiva e pública". Os deputados que estiveram com João argumentaram que fazem parte da base do governo, mas que isso não elimina sua visão crítica. Eles reivindicam que sejam ouvidos a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e os servidores, no novo debate que reclamam sobre a reforma previdenciária. O Grupo dos 30 do PT foram também prestar sua solidariedade a João Paulo, abalado com a repercussão que teve na imprensa a autorização dada por ele, ontem, para que um batalhão de choque da Polícia Militar entrasse nas depenências do Congresso. O deputado Walter Pinheiro (PT-BA), um dos parlamentares que estiveram com João Paulo, afirmou que não faz parte da índole nem da história dele aliar-se ao uso da força. Segundo Pinheiro, é óbvio que a ação de ontem constrangeu e que foi "algo muito duro na história do PT", mas isso não significa nenhuma mancha para o partido. "São 23 anos de experiências positivas, de defesa dos direitos humanos, e isso não vai manchar a história do PT nem de João Paulo", afirmou.

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