DIDA SAMPAIO/ESTADAO
DIDA SAMPAIO/ESTADAO

Grupo do PT vai contra decisão da direção sobre eleições no Congresso

Cinco maiores correntes de esquerda da legenda iniciam campanha para tentar constranger parlamentares petistas e, assim, evitar que eles votem em candidatos que tenham apoiado processo de impeachment de Dilma Rousseff

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2017 | 05h00

Quatro dias após o Diretório Nacional do PT orientar as bancadas na Câmara e no Senado a dar prioridade à participação do partido nas mesas das Casas, o Muda PT, grupo que reúne as cinco maiores correntes de esquerda da legenda, decidiu contrariar a direção. O grupo deu início a uma campanha para tentar constranger os parlamentares petistas e, assim, evitar que eles votem em candidatos que tenham apoiado o processo de impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff. 

Sob o mote “petista não vota em golpista”, o Muda PT está fazendo ações na internet e plenárias para tentar impedir os parlamentares do partido de votar no atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que tenta a reeleição, e em Eunício Oliveira (PMDB-CE), que disputa o comando do Senado. 

Setores das bancadas argumentam que, sem o apoio aos dois integrantes da base do governo Michel Temer, será difícil fazer cumprir o critério da proporcionalidade que daria ao partido o direito de indicar nomes para as direções das Casas.

Em um texto tortuoso, o Diretório Nacional determinou que a prioridade são os cargos dirigentes e liberou as bancadas a votar em apoiadores do impeachment de Dilma.

‘Constrangimento’. “Nosso objetivo é ganhar a maioria nas bancadas e impedir o apoio aos golpistas. Até a eleição (na semana que vem) achamos que podemos acumular força para reverter a situação por constrangimento”, disse o secretário de Formação, Carlos Árabe, representante da Mensagem na direção petista. Questionado se a campanha do Muda PT contraria a decisão partidária, ele respondeu: “Contraria em termos, não é uma insubordinação”.

Segundo o líder do PT na Câmara, deputado Carlos Zarattini (SP), a bancada se reunirá anesta quarta-feira, 25, para decidir como se posicionar. “O movimento do Muda PT não coloca em risco a orientação da direção. É muito fraco”, disse Zarattini.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, não quis comentar se a posição do Muda PT configura infração disciplinar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.