Grupo dissidente disputa Pontal com MST

O Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast) fez um arrastão e invadiu nove fazendas no Pontal do Paranapanema na última semana. A ofensiva, que coincidiu com o recuo do Movimento dos Sem-Terra (MST), por causa da decretação da prisão preventiva de 13 militantes e o líder José Rainha Júnior, na prática, foi uma estratégia deflagrada pelo Mast para tentar ocupar o espaço mantido até hoje pelo MST.A prisão preventiva de Rainha foi decretada pelo juiz Atis de Araújo Oliveira, de Teodoro Sampaio no dia 23. O mandado, que inclui outros 12 integrantes, foi expedido pela Justiça sob a acusação de formação de quadrilha, furto e constrangimento ilegal. Até sexta-feira, Rainha continuava foragido. Advogados do MST aguardam o julgamento, pelo Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo, do pedido de habeas-corpus visando a suspensão dos mandados de prisão. Na quarta-feira, o TJ negou a concessão de liminar em favor dos militantes procurados.Dissidente do próprio MST, o Mast é tido como um movimento social mais light. O presidente nacional do movimento, Lino Macedo, diz que as ações foram uma resposta para aqueles que não acreditam na força do Mast. "Acham que no Pontal só tem o MST." De acordo com Macedo, 1.330 famílias de sem-terra participaram das ocupações.Em uma delas, a invasão da fazenda Angical, no município de Caiuá, houve reação armada por parte de empregados. "Eles atiraram contra nosso grupo e fomos obrigados a recuar." O presidente do Mast contou que os sem-terra estão preparados para resistir às tentativas de desocupação."Quando começarem a sair as reintegrações de posse, vamos reagir com uma grande mobilização." Macedo adiantou que o Mast pretende reunir pelo menos 2 mil simpatizantes e iniciar uma marcha pela Rodovia Raposo Tavares, a principal da região.Demonstração - Nas invasões deflagradas na última semana, o grupo ocupou também outras oito fazendas na região - Alvorada, Santo Antônio e Nossa Senhora de Fátima, em Presidente Epitácio; Oito e Meio, em Presidente Bernardes; da Posse, em Presidente Wenceslau; Santo Antônio, em Dracena; Malu, em Caiuá, e São Jorge, em Panorama. Os proprietários de duas das nove fazendas invadidas - Angical e Malú - já obtiveram mandados de reintegração de posse, que ainda não foram cumpridos. Segundo Macedo, o Mast quis dar uma demonstração de sua força. "Temos 2.500 famílias de sem-terra cadastradas em acampamentos no Pontal, quase mil a mais do que o MST."O líder faz questão de lembrar que foi um dos fundadores do MST e saiu, há cinco anos, para participar da criação do Mast porque seus antigos companheiros tinham se tornado radicais demais. "Eles passaram a ser violentos e intransigentes."Tratamento diferenciado - Apesar disso, segundo Macedo, o movimento rival é tratado com mais atenção pelo governo. Considerado mais forte politicamente, o MST boicotou o assentamento de famílias do Mast nas fazendas São Pedro e São João, em Teodoro Sampaio, e Guaná-Mirim, em Euclides da Cunha Paulista. Por conta da ação nesta última propriedade, quando expulsaram até os funcionários do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), os 13 militantes tiveram decretada a prisão preventiva.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.