Grupo de tucanos pretende rever apoio do PSDB a Chinaglia

Um grupo de deputados do PSDB, que diz representar um terço da bancada do partido, pretende rever o apoio anunciado pelo líder tucano Jutahy Junior (BA) ao candidato petista à presidência da Câmara Arlindo Chinaglia (SP). O grupo que contesta o apoio a Chinaglia é liderado por deputados muito ligados ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Entre eles, o ex-ministro Paulo Renato e o ex-líder do partido no governo FHC, José Aníbal, ambos de São Paulo. A existência de dissidências no PSDB é um dos argumentos de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) para justificar a permanência de sua candidatura. Os deputados tucanos convocaram uma reunião da bancada do partido para a próxima terça-feira em Brasília. "Teremos pelo menos 20 deputados presentes para contestar a decisão do líder e exigir uma consulta democrática, e não um serviço de telemarketing como foi feito numa questão tão importante", afirmou o deputado José Aníbal. Na avaliação de Aníbal, o apoio declarado por Jutahy pode atender a interesses regionais do PSDB em alguns Estados, mas "compromete o partido diante da opinião pública". Tucanos afirmam que em troca do apoio a Chinaglia, o PT garantiria a eleição de deputados estaduais do PSDB para presidir as assembléias legislativas de São Paulo e Bahia. Paulo Renato, que participa do movimento para lançar um terceiro nome à Câmara, contra Chinaglia e contra o presidente da Casa, Aldo Rebelo, também criticou o formato da consulta e argumentou que uma decisão como essa teria que ser tomada em reunião da bancada e não por telefone. "Qual é a pressa de se tomar essa decisão faltando 15 dias para a eleição? Está se passando o rolo compressor", reclamou Paulo Renato. No grupo dos tucanos insatisfeitos, há um parlamentar que afirmou não ter sido consultado. "Temos que fazer essa avaliação internamente, na bancada. Não fui consultado, mas não descarto a possibilidade de não terem me encontrado. De qualquer forma, quero discutir isso com os meus colegas, quero avaliar meu voto", disse Emanuel Fernandes, de São Paulo, o deputado tucano mais votado no País.

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