Acervo da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos
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Grupo de Trabalho Perus identifica restos mortais de militante político

Exames de DNA e estudos antropológicos e odontológicos confirmam vínculo genético de desaparecido político da década de 1970, encontrado em cemitério clandestino de São Paulo

O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2018 | 08h34

São Paulo - Pela primeira vez desde o início das suas atividades, o Grupo de Trabalho Perus (GTP) concluiu a identificação de uma das vítimas encontradas na vala clandestina no Cemitério de Perus, em São Paulo. As análises permitiram a confirmação da identidade de Dimas Antonio Casemiro, morto em abril de 1971 por agentes de repressão política do regime militar.

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A confirmação definitiva foi concluída no dia 16 de fevereiro, após o GTP ter recebido os resultados de exames de DNA extraídos da primeira remessa de amostras biológicas enviadas para análise genética à International Commission on Missing Persons (ICMP), entidade internacional com sede em Haia, na Holanda, e que atua como parceira do Grupo.

Os resultados indicaram vínculo genético entre os restos mortais pertencentes a um dos casos enviados e as amostras sanguíneas dos familiares de Dimas.

O laudo genético foi trazido pessoalmente ao Brasil pelo Diretor de Ciência e Tecnologia da ICMP, Dr. Thomas Parsons, que se reuniu com o coordenador científico do GTP, Dr. Samuel Ferreira, e equipe de peritos no Brasil para análise do caso.

A identificação genética foi então confirmada pelos estudos antropológicos, odontológicos e informações ante-mortem de Dimas Antônio Casemiro, relativas à altura, idade, dentição e ao trauma por ação de projétil de arma de fogo.

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"Com esse resultado, o GTP e as entidades que o compõem apresentam resposta concreta à sociedade e especialmente aos familiares de mortos e desaparecidos políticos, os quais, no caso da família de Dimas, poderão finalmente render-lhe honras funerárias e encerrar dignamente o seu processo de luto", afirma a procuradora Eugênia Gonzaga, presidente da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP). Por solicitação dos familiares, suas identidades e contatos serão preservados.

Militante. Dimas Casemiro atuou no movimento estudantil de Votuporanga, sua cidade natal, até que se mudou para São Paulo e passou a militar na Ala Vermelha. Posteriormente, participou da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) e do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), do qual foi dirigente.

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Nos termos dos relatórios da Comissão Nacional da Verdade e da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Dimas Antônio Casemiro foi morto entre 17 e 19 de abril de 1971, alvejado por arma de fogo em tiroteio simulado - mesmo método utilizado em vários outros casos.

A CEMDP concluiu ainda que Dimas foi torturado entre os dias 17, data em que foi supostamente alvejado, e o dia 19, data do exame da necropsia, desmentindo a versão oficial de "morte em tiroteio". Desde então, seu corpo estava desaparecido.

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