Grupo de Temer assume comando do PMDB paulista

Escolhido pelo vice para ocupar o lugar de Quércia, Baleia Rossi tem como missão trazer novas lideranças para as eleições de 2012

André Mascarenhas, do estadão.com.br e Gustavo Porto, da Agência Estado, Agência Estado

27 de janeiro de 2011 | 19h51

SÃO PAULO E RIBEIRÃO PRETO - O presidente interino do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), dissolveu nesta quinta-feira, 27, o diretório regional paulista, abrindo espaço para que vice-presidente da República, Michel Temer, comande o partido no Estado. A medida estabelece a criação de uma comissão provisória encabeçada pelo deputado estadual Baleia Rossi, que terá como missão promover o crescimento da sigla em 2012 e garantir o alinhamento com a direção nacional.

 

Oficialmente, Baleia Rossi será responsável pela condução do PMDB-SP até que uma nova eleição seja convocada. O deputado é filho do ministro da agricultura, Wagner Rossi, e desponta como principal candidato à presidência do PMDB no Estado.

 

Raupp assinou a ata que oficializou a decisão no início da noite desta quinta-feira, após reunião da Executiva Nacional do partido. A dissolução só foi possível porque a maioria absoluta do diretório estadual do PMDB renunciou, seguindo a solução negociada pelo grupo de Temer. Com a morte do ex-governador Orestes Quércia, em dezembro, o vice-presidente tornou-se a principal força do PMDB no Estado.

 

O prazo estatuário para eleição de um novo diretório estadual é de 90 dias prorrogáveis, mas o processo só ocorrerá mesmo em novembro, após o fim do período de filiação para as eleições municipais de 2012. A determinação de Temer é que a comissão provisória unifique o partido para o pleito. "O esforço está focado no crescimento do partido para as eleições municipais. Temos até setembro para abrir o partido para novas lideranças", disse Baleia Rossi após a confirmação da dissolução.

 

Além de Baleia Rossi na presidência, a comissão provisória terá o deputado estadual Jorge Caruso como secretário-geral e um assessor de Temer, Arlon Viana, como tesoureiro.

 

Baleia Rossi deixou claro ainda que pretende unir as forças divergentes do PMDB. "Eu agradeço a confiança do vice-presidente Michel Temer. Minha escolha marca uma nova hegemonia no partido", afirmou o deputado, sem pudor em defender o nome de Temer como a principal liderança do PMDB paulista.

 

Fidelidade partidária. Uma das diretrizes do novo comando será a exigência de que os diretórios municipais cumpram as determinações do diretório estadual. "Para o partido voltar a ser grande, é fundamental que haja respeito à fidelidade partidária", disse Baleia Rossi. "O partido tem hoje 69 prefeitos e centenas de vereadores em São Paulo, mas elegeu apenas quatro deputados estaduais e um federal", exemplificou o deputado.

 

A avaliação entre dirigentes peemedebistas é de que o partido perdeu força com o racha entre o diretório estadual e o nacional. Na eleições de 2010, embora Temer concorresse como vice da petista Dilma Rousseff, o PMDB de São Paulo, por determinação de Quércia, apoiou a candidatura do tucano José Serra.

 

Baleia Rossi, no entanto, ressalta já ter conversado com tradicionais aliados de Quércia, como o prefeito de Araraquara, Marcelo Barbieri, e o prefeito de Barueri, Rubens Furlan, e garantiu ter o apoio de ambos. "Furlan me disse: 'Vai fundo que eu estou com você'", disse o deputado.

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