Grupo de sem-terra invade laticínio em MS

Um grupo de 250 trabalhadores rurais ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) invadiu, durante a madrugada de ontem, todas as instalações do Laticínio Campestre, situado no quilômetro 12 da BR-386, no município de Japorã, a 240 quilômetros de Campo Grande. O proprietário da empresa, José Martins, 39 anos, deve 45 mil litros de leite aos invasores e não vai pagar, segundo garantiu o coordenador do MST-MS, Márcio Issoli. Os esforços para receber a dívida já resultou no assassinado do líder do assentamento que forneceu o produto. O calote foi confirmado no dia 30 último, quando José Martins, alegando estar cansado de tantas cobranças, matou a tiros o coordenador de um assentamento, Marcelino Nunes de Souza, 38 anos. Marcelino coordenava o Assentamento Rural Roseli Nunes, antiga Fazenda Indiana, que produz leite, arroz, feijão, frutas, verduras e legumes, e é responsável pelas cobranças de todo o dinheiro que os assentados têm para receber. O crime aconteceu em frente a uma loja de produtos agropecuários de onde a vítima acabava de sair, no centro de Japorã. No inquérito aberto pela Delegacia de Polícia Civil de Mundo Novo, que atende Itaporã, pelo menos 15 pessoas confessaram ser testemunhas oculares do homicídio. Depois de várias reuniões, os acampados resolveram ocupar o laticínio.O acusado está foragido, e os assentados estão procurando meios legais para confiscarem o laticínio e considerá-lo parte integrante dos bens dos assentados.

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