Grupo de Sarney tenta tirar comissão do PT

Orientado pelo presidente do Senado e por Renan, PMDB convence [br]PTB a disputar presidência da Infraestrutura com petista Ideli Salvatti

Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

18 de fevereiro de 2009 | 00h00

A disputa entre PMDB e PT no Senado não acabou. Orientada pelo presidente do Senado, José Sarney (AP), e pelo líder Renan Calheiros (AL), a bancada do PMDB sitiou o PT, que corre o risco de ficar sem cargo de relevo na Casa.O PMDB conseguiu convencer o PTB a ir para a disputa com petistas pela presidência da Comissão de Infraestrutura. O PT indicara a senadora Ideli Salvatti (SC) para a vaga. Ela foi o principal cabo eleitoral do senador Tião Viana (AC) na disputa contra Sarney, no início do mês, pela presidência do Senado. Pelo regimento interno, a definição do comando das comissões deve seguir a proporcionalidade das bancadas. Por esse critério, o comando da Infraestrutura deveria ficar com o PT.A operação de Sarney e Renan foi desenhada na véspera, em jantar na casa da líder do governo no Congresso, Roseana Sarney (MA). Na presença do líder do PTB no Senado, Gim Argello (DF), ficou acertado que a legenda mudaria de alvo: no lugar de enfrentar o PSDB pela Comissão de Relações Exteriores, o partido de Argello brigaria pela presidência da Comissão de Infraestrutura com a petista. O escalado pelo PTB para o posto continua a ser o ex-presidente Fernando Collor. A possível disputa entre Ideli e Collor deixou furiosos petistas durante todo o dia de ontem no Senado. Essa perspectiva provocou um racha na base aliada na Casa, obrigando o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), a convocar uma reunião no fim da tarde para tentar acordo. Sem sucesso. Depois de quase três horas de negociação, o PTB não demonstrou disposição em abrir mão da disputa com Ideli e já conseguiu o apoio do DEM ao nome de Collor. "A disposição do PTB é eleger Collor", afirmou categoricamente Argello à saída do encontro, negando "espírito de troco" da turma de Sarney.NOVA TENTATIVAHoje, integrantes da base do governo devem fazer, pela manhã, mais uma tentativa de acordo. Mas já trabalham com a possibilidade de disputa entre Ideli e Collor à tarde. A votação para presidente de comissões é secreta.Líder do PT, o senador Aloizio Mercadante (SP) lamentou o não-cumprimento da proporcionalidade. "Falamos que asseguraríamos o direito do DEM e do PSDB nas comissões. Queremos o nosso direto assegurado também", reclamou.Há três semanas o Senado está com os trabalhos paralisados pelas indefinições para o comando das comissões. Por ter a maior bancada, o PMDB escolheu presidir a comissão mais cobiçada: a de Assuntos Econômicos (CAE), que deverá ficar com o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN). O DEM, segunda maior bancada, indicou Demóstenes Torres (GO) para presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e o PSDB escolheu Eduardo Azeredo (MG) para a de Relações Exteriores. O PT viria em quarto lugar, ficando com a de Infraestrutura. O posto, agora, está ameaçado. FRASEAloizio MercadanteSenador (PT-SP)"Falamos que asseguraríamos o direito do DEM e do PSDB nas comissões. Queremos o nosso direto assegurado também"

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.