Grupo de Rainha descarta trégua e faz a 19ª invasão

A condenação do líder dissidente do Movimento dos Sem-Terra (MST) José Rainha Júnior, em mais um processo, não representou uma trégua na ação dos seus liderados. Seguidores de Rainha invadiram na última quinta-feira, a Fazenda das Cobras, no distrito de Jaciporã, em Dracena, no Pontal do Paranapanema, oeste do Estado de São Paulo. Foi a 19ª invasão do grupo na região em duas semanas. Rainha não participou da ação. No mês passado, o líder foi condenado a dois anos e 20 dias de reclusão sob a acusação de ter se apropriado de R$ 1,4 mil de um assentado, mas conseguiu o direito de esperar em liberdade o julgamento do recurso. O líder Wesley Mauch, seu principal aliado, disse que estão previstas novas ocupações. "É uma luta que só termina com o assentamento das famílias que estão sob a lona." No Pontal e na Alta Paulista, segundo ele, há pelo menos três mil pessoas em acampamentos. As ações também visam a protestar contra o projeto do governador José Serra (PSDB) que regulariza áreas com mais de 500 hectares no Pontal. O projeto está na Assembléia Legislativa e, segundo Mauch, se aprovado, vai "privatizar" as terras consideradas devolutas da região. A fazenda das Cobras, com cerca de 480 hectares, é tida como improdutiva pelo movimento. "A área tem de ser vistoriada pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), pois não mora ninguém e tem umas dez cabeças de gado." A propriedade tinha sido invadida em dezembro, mas os donos conseguiram a reintegração de posse. Assim como o próprio Rainha, Mauch é outro antigo líder do Movimento dos Sem-Terra (MST) cuja liderança não é mais reconhecida pelo movimento. MSTO MST deixou de dar aval e contabilizar as ações protagonizadas pelo grupo de Rainha. Mauch disse que se considera do MST. "O movimento é dos trabalhadores e de ninguém mais", afirmou. "Se o povo está com a gente e nos dá credibilidade, compete à direção do MST discutir internamente e verificar quem está agindo de acordo com os princípios do movimento." Este ano, o grupo de Rainha já contabiliza 38 invasões de fazendas no Estado, mais da metade do total, de 69 ações. Parte das ações teve a participação de sindicatos ligados à Central Única de Trabalhadores (CUT) e de outros grupos, como o Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast). O próprio MST fez 24 ocupações. As outras 7 foram feitas por trabalhadores rurais sem bandeira e integrantes de outros movimentos.

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