Grupo de Itamar ameaça "baixar o nível" na convenção

Os coordenadores das duas chapas que disputam o controle do PMDB nacional neste domingo reuniram-se hoje para tentar organizar a convenção nacional do partido, mas não conseguiram afastar a ameaça de pancadaria. Ao mesmo tempo em que a coordenação da campanha do deputado Michel Temer (SP) tentava acertar algumas regras de convivência com os partidários da candidatura do senador Maguito Vilela (GO) em Brasília, o vice-governador de Minas Gerais, Newton Cardoso, revelava em Belo Horizonte que seu próprio grupo está disposto "baixar o nível" durante a convenção.Irritados com as previsões de vitória folgada de Temer sobre Maguito, os "itamaristas", que apóiam o senador goiano e a candidatura presidencial do governador mineiro Itamar Franco, insistem em denunciar interferência do Palácio do Planalto na disputa partidária. Por isso mesmo, ameaçam reagir "com todas as armas possíveis" e prometem uma disputa acirrada a qualquer custo. Tudo para quebrar o clima do "já ganhou" que prevalece na ala governista e no grupo dos independentes, que apóiam Temer."Compraram convencionais, mas não comprarão a convenção", denuncia o ex-presidente nacional do partido, Paes de Andrade (CE), que trabalha para ver Itamar de volta ao Planalto. "Não iremos entregar de bandeja a disputa pela presidência do partido", emenda Newton, ao salientar que essa é uma briga do PMDB contra o presidente Fernando Henrique Cardoso, que derrotou a candidatura de Itamar à Presidência em 1998 por uma diferença de 44 votos.Newton insistiu hoje que "a hora é de independência ou morte", e apresentou suas armas: uma caravana com cerca de 50 ônibus lotados com militantes do partido no Estado, que já estariam se dirigindo a Brasília, ao lado de integrantes do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro), comandados pelo ex-governador de São Paulo Orestes Quércia. "Se for para o bem do País, entraremos em confronto direto com nossos adversários", advertiu Newton."Espero que a convenção fique limitada ao confronto de idéias", contestou o deputado Wagner Rossi (SP), que passou o dia tentando acertar regras para evitar cenas de pugilato no Ginásio do Colégio Marista, onde ocorrerá a convenção. "Queremos é votar; não queremos violência", insistiu o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), cardeal da ala governista.Para proteger os convencionais das cenas de pancadaria que dominaram a convenção passada e evitar o enfrentamento físico entre os partidários de cada candidato, o acesso à área central do ginásio ficará restrita aos convencionais e parlamentares. "A galera incendiária e agressiva deve ficar separada, com os partidários de cada candidatura reunidos em lados opostos da arquibancada", sugeriu Geddel.Mesmo que os coordenadores dos dois candidatos consigam organizar as torcidas, de forma a que a distância resolva o problema do enfrentamento dentro do ginásio, o risco de pancadaria ainda não terá sido afastado. Wagner Rossi lembrou que cada uma das arquibancadas laterais poderá abrigar, no máximo, 1.500 pessoas. "O que nos preocupa é que o nível de mobilização supera em muito a capacidade física do ginásio", ressaltou o deputado, temeroso de que um grande contingente de peemedebistas fique do lado de fora, tumultuando o ingresso dos convencionais. Mas, seja com ou sem tumulto, a previsão é que a votação se encerre às 17 horas. Uma hora depois, o nome do novo presidente do PMDB já deverá ser conhecido.

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