Grupo de deputados do PT pede "mudança já" na economia

A volta do PT às ruas e a mobilização da sociedade por novos rumos na economia foram defendidas hoje pelo grupo de deputados petistas que prega mudança no modelo econômico adotado pelo governo Lula. Os deputados divulgaram um documento no qual avaliam que há uma "estagnação e piora das condições de vida dos trabalhadores" após 15 meses de governo. O documento foi elaborado com base no seminário "Queremos um outro Brasil", realizado em 21 de março em São Paulo e promovido por um grupo que incluiu 15 deputados. No documento, intitulado "Declaração de Páscoa - Antes que seja tarde: Mudança Já", os deputados argumentam que o agravamento da crise econômica "deixa claro" que é preciso mudar de rota. A Páscoa foi escolhida para a divulgação do documento porque ela trata de "mudança, renovação da vida, ressurreição". "Enquanto os banqueiros e rentistas continuam comemorando ganhos expressivos, do lado mais fraco aumenta o risco social, em função do crescimento negativo, do desemprego e da queda no consumo das famílias", diz o documento, que também critica a execução orçamentária do governo. "Os sucessivos cortes no Orçamento em nada contribuem para melhorar a situação das parcelas mais pobres da população", sustenta. "Os gastos de todos os ministérios em 2003, excluindo o da Previdência, foram R$ 10 bilhões a menos do que os gastos realizados para pagamento de juros da dívida", afirmou o deputado Chico Alencar (PT-RJ), um dos organizadores do documento.?É preciso um forte movimento social?O grupo de petistas defende, também, a redução da taxa de juros, diminuição do superávit primário, flexibilização das metas de inflação e capacidade para o Estado intervir no controle de tarifas públicas, entre outras alterações. "É preciso um forte movimento social, de baixo para cima, para mudar a política econômica", afirmou o deputado Ivan Valente (PT-SP), também um dos coordenadores do seminário e do documento. Chico Alencar afirmou que há um "clamor por mudanças de rumo". "Não basta falar só para nosso governo, mas combinarmos palavras com propostas detalhadas, ações concretas e o PT voltar às ruas", disse Alencar. "Se perdermos a identidade, perderemos, inclusive, as eleições", continuou Alencar. O deputado Paulo Rubem Santiago (PT-PE) disse que há no País "uma ditadura do pensamento único da economia" e que há outras opções para o modelo. A deputada Iara Bernardi (PT-SP) afirmou que o movimento do grupo, contrário à política adotada pelo governo Lula, não é contraditório. "Sabemos que é um governo de coalizão e sujeito a pressões", disse. Segundo ela, o documento contribui para que o partido possa abrir o diálogo. "Estranho seria se o PT não fizesse isso no governo do presidente Lula", completou a deputada.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.