Grupo de deputados defende punição contra Bolsonaro

Um grupo de 19 deputados federais iniciou hoje um movimento defendendo punição a Jair Bolsonaro (PP-RJ) devido a uma entrevista do parlamentar ao programa CQC da TV Bandeirantes que foi ao ontem. Respondendo a uma pergunta da cantora e apresentadora Preta Gil sobre o que faria se seu filho casasse com uma negra o deputado afirmou que não iria discutir "promiscuidade".

EDUARDO BRESCIANI, Agência Estado

29 de março de 2011 | 20h39

No mesmo programa, o deputado ainda afirmou que torturaria seu filho se o encontrasse fumando maconha e que não pensa que seu filho possa ser homossexual porque ele teve "boa educação".

A primeira ação do grupo já foi tomada na noite de hoje com um pedido para que a Corregedoria analise a conduta do parlamentar. O protocolo foi feito junto à Presidência da Câmara, que encaminhará a solicitação ao corregedor, Eduardo da Fonte, do mesmo partido de Bolsonaro.

Fazem parte deste movimento deputados de PSOL, PT, PDT, PC do B e PSB. Eles pedirão aos presidentes de seus partidos que assinem em conjunto uma representação para que o deputado seja processado também no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Os deputados também deverão protocolar junto ao Ministério Público uma representação pedindo que o deputado seja investigado pelo crime de racismo. Serão encaminhadas ainda ações junto aos ministérios dos Direitos Humanos e Igualdade Racial.

O grupo quer ainda que o PP retire Bolsonaro da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Presidente do colegiado, a deputada Manuela D''Avilla (PC do B-RS) está à frente das ações. Ela afirmou que as palavras do parlamentar "estimulam a violência e a intolerância". Homossexual assumido, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) era um dos mais incomodados. "Eu fiquei chocado, o Bolsonaro sempre foi homofóbico e disse coisas violentas sobre homossexuais, mas dessa vez ele mexeu também com racismo e nos deu uma oportunidade de puni-lo porque racismo é crime".

Pressionado, Bolsonaro recuou nas declarações relativas aos negros. Ele afirmou que não entendeu a pergunta feita por Preta Gil. "Foi um mal entendido, eu errei. Como veio uma sucessão de perguntas eu não ouvi que era aquela pergunta, foi um equívoco. Eu entendi que a pergunta era se meu filho tivesse um relacionamento com gay, por isso respondi daquela forma. Na verdade, quando eu vi a cara da Preta Gil eu respondi sem prestar atenção".

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